07/12/2018 às 12h05min - Atualizada em 07/12/2018 às 12h05min

Pesquisadores australianos desenvolvem teste de 10 minutos capaz de detectar câncer

Estudo ainda precisa ser testado em humanos. Segundo os cientistas, vantagem do método é que não precisa de grandes equipamentos ou recursos.

Fonte G1

Teste de 10 minutos consegue detectar câncer — Foto: Universidade de Queensland

Pesquisadores na Austrália desenvolveram um teste de 10 minutos que pode detectar a presença de células cancerígenas em qualquer parte do corpo humano, de acordo com o artigo publicado na revista "Nature Communications".

O teste foi desenvolvido depois que pesquisadores da Universidade de Queensland descobriram que o câncer forma uma estrutura única de DNA quando colocado na água.

O teste funciona identificando a presença dessa estrutura, uma descoberta que poderia ajudar a detectar câncer em humanos muito antes dos métodos atuais.

"Descobrir que moléculas de DNA cancerosas formaram nanoestruturas 3D totalmente diferentes do DNA circulante normal foi um avanço que permitiu uma abordagem totalmente nova para detectar câncer de forma não invasiva em qualquer tipo de tecido, incluindo sangue", disse Matt Trau, um dos autores do estudos, em um comunicado.

"Isso levou à criação de dispositivos de detecção baratos e portáteis que poderiam eventualmente ser usados ​​como uma ferramenta de diagnóstico, possivelmente com um telefone celular", acrescentou.

Abu Sina, co-pesquisador, disse que o teste é uma "descoberta significativa" que pode ser um "fator de mudança" para a detecção do câncer.

"O câncer é uma doença complicada e atualmente cada tipo (de câncer) tem um sistema diferente de testes e triagem. Na maioria dos casos, não há testes gerais para saber seu status. Atualmente, as pessoas só vão buscar tratamento se tiverem sintomas. Queremos que exames de câncer façam parte de um check-up regular"-Abu Sina, co-pesquisador

Cientistas em todo o mundo têm trabalhado em maneiras de identificar o câncer mais cedo, já que a detecção precoce é conhecida por aumentar a taxa de sucesso de tratamento terapêutico e cirurgia.

Como funciona o teste

O teste de 10 minutos desenvolvido na Austrália ainda precisa ser testado em seres humanos, e grandes ensaios clínicos são necessários antes que ele possa ser usado em pacientes em potencial. Mas os sinais são positivos.

Testes feitos em mais de 200 amostras de tecido e sangue detectaram células cancerígenas com 90% de precisão, disseram os pesquisadores.

Por enquanto, ele tem sido usado apenas para detectar cânceres de mama, próstata, intestino e linfoma, mas os cientistas acreditam que os resultados podem ser replicados com outros tipos da doença.

O câncer altera o DNA das células saudáveis, particularmente na distribuição de moléculas conhecidas como grupos metil, e o teste detecta esse padrão alterado quando colocado em uma solução como a água.

"Usando ... um microscópio de alta resolução, vimos que fragmentos de DNA cancerosos se dobraram em estruturas tridimensionais na água. Eles eram diferentes do que vimos com DNA de tecido normal na água", explica o artigo.

O teste usa partículas de ouro, que se ligam ao DNA afetado pelo câncer e "pode ​​afetar o comportamento molecular de uma forma que causa mudanças visíveis de cor", acrescentou.

Laura Carrascosa, outra pesquisadora que participou do estudo, diz que, se comprovado, seu método para detectar o câncer poderia ser um benefício para fornecer detecção e diagnóstico em áreas rurais ou subdesenvolvidas.

"A vantagem deste método é que ele é tão simples - é quase livre de equipamentos. Você pode fazê-lo com poucos recursos"- Laura Carrascosa, pesquisadora

O próximo passo para a equipe é encenar estudos clínicos sobre como o câncer precoce pode ser detectado e se o teste pode ser usado para avaliar a eficácia do tratamento. Eles também estão estudando a possibilidade de usar diferentes fluidos corporais para detectar diferentes tipos de câncer desde o início até os últimos estágios da doença.

Os cientistas Matt Trau, Abu Sina e Laura Carrascosa — Foto: Universidade de Queensland

Os cientistas Matt Trau, Abu Sina e Laura Carrascosa — Foto: Universidade de Queensland

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