06/12/2018 às 14h00min - Atualizada em 06/12/2018 às 14h00min

Dólar sobe e chega a bater R$ 3,94 com tensão comercial global

Na véspera, moeda norte-americana avançou 0,26%, vendida a R$ 3,8681.

Fonte G1

 Notas de dólar — Foto: REUTERS/Dado Ruvic

O dólar subia e já superava o nível de R$ 3,90 nesta quinta-feira (6), em dia de aversão global ao risco após a prisão de uma executiva da gigante chinesa Huawei, intensificando os temores de guerra comercial entre Estados Unidos e China poucos dias depois de um encontro histórico entre os presidentes dos dois países.

Às 13h30, a moeda norte-americana subia 1,44%, vendida a R$ 3,9239. Veja mais cotações. Na máxima do dia, chegou a R$ 3,9429.

"É negativo para a China...e se é negativo para a China é também para os países emergentes. É dólar mais forte...sugere menos exportações do Brasil", avaliou à Reuters a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Meng Wanzhou, vice-presidente financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, foi presa em Vancouver, no Canadá, e enfrenta uma possível extradição para os EUA por supostas violações de sanções dos EUA.

A Huawei, uma das maiores fabricantes de equipamentos de telecomunicações do mundo, já enfrentou dificuldades no mercado dos EUA no passado devido a alegações de que seus equipamentos podem conter brechas de segurança que poderiam permitir um monitoramento não autorizado.

A notícia afetou as esperanças de que fossem amenizadas as tensões comerciais entre Estados Unidos e China depois da trégua de 90 dias acertada entre as partes no último sábado.

O episódio é mais um a se somar à aversão ao risco global. Na véspera, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já tinha dito que seria forçado a responder se os EUA saírem do Tratado de Controle de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), um dia depois de os norte-americanos darem um ultimato de 60 dias aos russos.

Em meio à tensão geopolítica e guerra comercial, o achatamento da curva de juros norte-americana no começo da semana também levantou preocupações sobre uma possível recessão na maior economia do planeta.

Nesta quinta-feira, o dólar passou a cair após dados mais fracos de abertura de vagas no mercado privado norte-americano. Mas subia ante as divisas emergentes, como o peso chileno e o rublo.

Cenário local

Internamente, os investidores estão cautelosos com o novo governo e as indefinições sobre reforma da Previdência e a cessão onerosa.

"Acho que é cedo para sabermos como será a articulação do governo, vamos ter condição de avaliar em janeiro ou fevereiro. Mas o mercado está ansioso... é mais um ponto negativo a pressionar o câmbio", acrescentou Fernanda.

Atuação do BC

O BC vendeu nesta sessão 13,83 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 2,766 bilhões do total de US$ 10,373 bilhões que vence em janeiro.

Se mantiver essa oferta diária até dia 21 e vendê-la integralmente, terá concluído a rolagem total.

"Se a situação de fato se agravar para emergentes, o BC pode reforçar a oferta de swap", comentou a especialista do Ourinvest.

Véspera

O dólar subiu na quarta, em meio às preocupações sobre a economia norte-americana e a guerra comercial entre Estados Unidos e China. No Brasil, as atenções se voltaram para as intenções do governo eleito de fatiar a proposta de reforma da Previdência. A moeda norte-americana avançou 0,26%, vendida a R$ 3,8681

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