08/11/2018 às 08h57min - Atualizada em 08/11/2018 às 08h57min

Familiares de Kauã fecham avenida em protesto contra liberdade de pastora

Pastora Juliana Salles deixou a penitenciária na madrugada desta quinta-feira (08)

Fonte Gazeta Online

Familiares do menino Kauã fazem protesto na Avenida Getúlio Vargas, em frente ao Palácio Anchieta, após a soltura da pastora Juliana Salles - Kaique Dias

Familiares e amigos do menino Kauã, de 6 anos, filho do comerciante Rainy Butkovsky e da pastora Juliana Salles, fecharam a Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Vitória, na manhã desta quinta-feira (08) em protesto contra a liberdade de Juliana, que deixou a penitenciária às 3h desta quinta-feira (08) após um alvará de soltura expedido pela Justiça nesta quarta (07).

De acordo com a Guarda Municipal de Vitória, a manifestação começou por volta de 7h40. Cerca de 15 pessoas atearam fogo em pneus. Os manifestantes, liderados pelo pai Kauã, Rainy Butkovsky, pedem justiça. Eles ocupam duas, das três faixas da via.

Ao ser indagado pelo motivo do protesto, Rainy Butkovsky responde: "Indignação e revolta pela Juliana ter sido solta, depois do próprio juiz André Bijus Dadalto declarar que ela assumiu, junto com o Georgeval, para ceifar a vida das crianças em prol de aumentar a arrecadação de fiéis, em prol de se promover no meio religioso".

"O juiz mesmo fala que ela se uniu com ele (Georgeval) para matar as crianças e ele mesmo solta? Como, como? Não existe justiça no Brasil não", conclui Rainy.

Juliana conseguiu na Justiça, nesta quarta-feira (07), a liberdade provisória. Ela estava presa desde o dia 19 de junho, quando foi detida em Minas Gerais, em cumprimento ao mandado de prisão expedido pela 1ª Vara Criminal de Linhares. Na ocasião, foi aceita a denúncia do Ministério Público Estadual que acusou a pastora de ter conhecimento do risco que as crianças sofriam por estarem sozinhas com o pastor George, o que caracteriza omissão por parte de Juliana.

Rainy ainda reclama a respeito da falta de acesso aos autos e audiências do caso. "Colocaram três advogados de defesa para eles (Juliana e Georgeval), que participaram da audiência e tiveram acesso aos autos. Eu coloquei um assistente de acusação que não teve acesso aos autos e não pode participar da audiência".

Como que pode? Dois monstros, que a sociedade toda está bolada, está só o ódio no coração com eles (Juliana e Georgeval), estão lá com três advogados e eu não posso ter acesso ao processo e ter o meu advogado participando da audiência, sendo que eu perdi o meu bem maior que é o meu filho?

Rainy Butkovsky, pai de Kauã

Georgeval Alves, padrasto de Kauã e pai de Joaquim, está preso desde abril, mês em que os irmãos foram assassinados, e vai responder por dois homicídios qualificados, dois estupros de vulneráveis, dois crimes de tortura e fraude processual por ter alterado a cena do crime. A pastora, apesar de não estar em casa no dia do crime, também responde pelos mesmos crimes, considerada a omissão.

O Gazeta Online tentou falar com a defesa da pastora, mas as ligações não foram atendidas e mensagens não tiveram respostas.

O CASO

Na madrugada do dia 21 de abril de 2018, os irmãos Kauã Salles Butkovsky, de 6 anos, e Joaquim Alves Salles, de 3, morreram carbonizados na casa onde moravam, em Linhares. O pastor Georgeval Alves, pai de Joaquim e padrastro de Kauã, estava sozinho na residência com as crianças.

No dia 28 do mesmo mês, o pastor foi preso após a Justiça expedir um mandado de prisão temporária por 30 dias porque o homem estava atrapalhando as investigações do incêndio que matou as crianças.

As declarações mentirosas e contraditórias dadas por George Alves levaram a Polícia Civil a desconfiar de que a morte dos irmãos Joaquim, de 3 anos, e Kauã, de 6 anos, não havia sido provocada por um incêndio acidental.

À imprensa, na porta do Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, na tarde do dia 23 de abril, o pastor declarou que tentou salvar o filho e o enteado, mas não conseguiu por conta do fogo intenso. Na entrevista, ele ainda falou sobre fé e representou como teriam sido os últimos momentos de vida das crianças. Todas as declarações foram desmentidas posteriormente pela força-tarefa criada para investigar o caso.

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