02/11/2018 às 10h15min - Atualizada em 02/11/2018 às 10h15min

Estudante de SP concilia trabalho com 9 horas de estudo por dia para prestar Enem: 'confiante'

Vitor Cavalcante faz cursinho na USP Leste e vai prestar o Exame Nacional do Ensino Médio pela primeira vez para tentar vaga em engenharia mecânica.

Fonte G1

Vitor Cavalcante em seu quarto, onde costuma estudar depois das aulas — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

O estudante Vitor Hugo Cavalcante Lopes tem 17 anos e vai prestar Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pela primeira vez no próximo domingo (4). Filho de pai pedreiro e mãe monitora de van escolar, Vitor sonha com a carreira de engenheiro mecânico, mas tem de conciliar quatro horas de trabalho diárias com nove (!) horas de estudos - ele está fazendo o terceiro ano do Ensino Médio em um colégio estadual e frequenta as aulas do cursinho popular no EACH - USP, campus da Zona Leste.

"Desde quando me entendo por gente, digo para meu pai que quero fazer engenharia. Meu maior sonho é me formar, ter uma vida financeira estabilizada e formar a minha família", diz ele.

Vitor tem dois irmãos, de 4 e 20 anos. O mais velho faz Direito com bolsa Prouni, programa criado pelo MEC (Ministério da Educação) que fornece bolsas de estudo parciais e integrais em instituições de ensino superior brasileiras.

Uma bolsa de estudos é o objetivo de Vitor, por estar ciente da dificuldade de conseguir uma vaga em uma universidade pública e gratuita através do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) - programa criado pelo governo federal em 2010 e gerenciado pelo MEC, que tem como objetivo selecionar candidatos participantes do Enem, alocando-os em universidades federais e estaduais.

"Eu sofro bastante com a defasagem da escola pública. Eu vi no cursinho matérias que não tinha nenhuma base. Às vezes parece que eu estudo pra caramba, mas não aprendo nada. Eu sei que a concorrência no Sisu é muito alta, por isso me faz pensar no Prouni", desabafa.

Vitor diz que também foi necessário se preparar psicologicamente para a prova.

"No começo do ano, eu sentia a pressão do mundo todo nas minhas costas. Eu me cobrava muito e isso me atrapalhava. Meus pais me ajudaram muito nessa parte também, de falar para mim ir com calma porque era só meu primeiro ano como vestibulando. Mas estou confiante. Se eu não conseguir, pretendo estudar mais. Afinal esse é só meu primeiro ano".

Rotina puxada

Depois das quatro horas de trabalho de manhã em uma fotocopiadora, à tarde Vitor frequenta o cursinho popular da USP na Zona Leste, das 14h às 19h. Na sequência, vai para a escola, sem intervalos, das 19h até as 23h.

"No começo dessa rotina eu não achava tão cansativo, eu tinha mais gás. Mas agora na reta final está puxado, tenho achado bem cansativo", reconhece ele, que tem de escolher todos os dias o que é prioridade para definir a qual aula vai assistir.

"Se a primeira aula da noite é importante, eu saio mais cedo do cursinho. Quando não tem eu saio às 19h do cursinho e chego na segunda aula do colégio", conta ele.

Aos finais de semana, Vitor costuma estudar em casa, na Vila Virgínia, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. "Mas também gosto de sair quando dá", diz ele

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