13/04/2021 às 16h13min - Atualizada em 13/04/2021 às 16h13min

Após ataque, Irã anuncia que vai enriquecer urânio a 60%

Grau de pureza se aproxima dos 90% necessários para a construção de armas nucleares. Anúncio é feito em meio às negociações em Viena para que país volte a respeitar o tratado nuclear de 2015.

Fonte G1
Foto divulgada em 5 de novembro de 2019 pela Organização de Energia Atômica do Irã mostra centrífugas na instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, principal complexo nuclear do Irã — Foto: Organização de Energia Atômica do Irã via AP

O governo do Irã anunciou nesta terça-feira (13) que vai começar a enriquecer urânio a 60% de pureza, se aproximando dos 90% necessários para a construção de armas nucleares.

"A partir desta noite, os preparativos práticos para o enriquecimento de 60% começarão em Natanz", afirmou o porta-voz da agência nuclear iraniana Behrouz Kamalvandi, segundo a agência de notícias iraniana Fars. "Urânio enriquecido a 60% é usado para fazer uma variedade de radiofármacos".

O anúncio foi feito dias após um ataque ao principal complexo nuclear do país, em Natanz, e em meio às negociações em Viena para que o país volte a respeitar o acordo nuclear de 2015.

O acordo nuclear limitava o nível de pureza de urânio que o Irã podia enriquecer em 3,67%, mas o país deixou de cumpri-lo depois que os Estados Unidos deixaram o pacto, em 2018.

Abbas Araqchi, negociador-chefe do Irã para o acordo nuclear, afirmou também que o país vai introduzir mais mil centrífugas no complexo de Natanz, que foi atingido por uma explosão no domingo (11).

Ataque em Natanz

O país diz que foi alvo de "terrorismo antinuclear", responsabilizou Israel pelo ataque e prometeu vingança. O Irã tinha inaugurado novas centrífugas no complexo nuclear no dia anterior.

Tanto a inauguração de novas centrífugas quanto a ampliação do enriquecimento de urânio são proibidos pelo acordo nuclear de 2015, que o Irã cumpria até a saída dos EUA;

Israel não assumiu a autoria do ataque, mas a imprensa israelense diz que o apagão foi causado por um ciberataque "devastador" orquestrado pelo país. A emissora pública Kan disse que o Mossad (o serviço secreto israelense) estava por trás do ataque.

Horas depois, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que não permitirá que o Irã consiga construir armas nucleares. O país se opõe ferozmente ao acordo nuclear.


Foto de satélite mostra a instalação nuclear iraniana de Natanz em 7 de abril de 2021. Irã diz que complexo nuclear iraniano foi alvo de 'terrorismo' — Foto: Planet Labs Inc. via AP

Enriquecimento de urânio

Segundo o jornal "The New York Times", a explosão foi um duro golpe para a capacidade do Irã de enriquecer urânio e pode levar pelo menos nove meses para restaurar a produção de Natanz.

Nos últimos meses, o país Irã aumentou o enriquecimento para 20% de pureza. O Irã sempre diz que nunca buscou obter ou desenvolver armas nucleares e que busca a tecnologia nuclear apenas para fins civis, nas áreas de medicina ou energia.

Os serviços de inteligência ocidentais acreditam que o Irã tinha um programa clandestino de armas nucleares que foi desativado em 2003. Israel acredita que o programa continua até hoje e vê a atividade nuclear do país como uma ameaça existencial.


Instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, a 250 km de Terrã, em imagem de 2005 — Foto: Raheb Homavandi/Reuters

'Aposta ruim'


O principal diplomata do Irã disse nesta terça-feira (13) que o ataque a Natanz foi uma "aposta muito ruim" de Israel e que ele fortalece o poder iraniano nas negociações para salvar o acordo nuclear.

As negociações devem ser retomadas na quinta-feira (15) em Viena, e o Irã exige que os EUA retirem as sanções que foram imposta ao país para retornar ao acordo nuclear.

Já o presidente americano, Joe Biden, diz que o Irã deve primeiro retomar o cumprimento total do acordo de 2015, em troca do levantamento das sanções, antes que os EUA voltem ao pacto nuclear

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