07/04/2021 às 13h23min - Atualizada em 07/04/2021 às 13h23min

Após raros casos de coágulos, agência europeia mantém recomendação para vacina de Oxford

EMA diz que benefícios superam os riscos e que casos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas com imunizante contra a Covid-19 são um efeito colateral 'muito raro'.

Fonte G1
Doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela universidade inglesa de Oxford junto com a farmacêutica AstraZeneca — Foto: Divulgação/Agência de Saúde do DF

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) afirmou nesta quarta-feira (7) que os coágulos sanguíneos sofridos por algumas pessoas vacinadas com a vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 devem ser considerados um efeito colateral "muito raro" e manteve a recomendação de uso do imunizante.

A EMA encontrou "uma possível ligação com casos muito raros de coágulos sanguíneos incomuns, juntamente com níveis baixos de plaquetas sanguíneas", mas afirmou que o balanço entre riscos e benefícios permanece "positivo", segundo comunicado.

A agência já havia afirmado em 18 de março que a vacina de Oxford/AstraZeneca é "segura e eficaz", após alguns países europeus suspenderam temporariamente o uso do imunizante.

A vacina já teve o uso emergencial aprovado no Brasil por unanimidade pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em janeiro, após passar por uma série de testes de segurança e eficácia que atestaram a sua qualidade.

O imunizante recebeu também o registro definitivo no país, em 12 de março. Segundo a Anvisa, "o registro definitivo é a avaliação completa, com dados mais robustos dos estudos de qualidade, eficácia e segurança, bem do plano de mitigação dos riscos e da adoção das medidas de monitoramento".

Também nesta quarta, o órgão regulador britânico afirmou que a vacina de Oxford/AstraZeneca traz enormes benefícios, mas que as pessoas com menos de 30 anos receberão as vacinas da Pfizer e da Moderna.

June Raine, chefe da agência da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês), disse que os benefícios da vacina "continuam a superar os riscos para a grande maioria das pessoas".

Os casos investigados

Após estudar os casos de coágulos na Europa, a EMA afirmou que a maioria dos casos relatados ocorreu em mulheres com menos de 60 anos em até duas semanas após a vacinação — mas, com base nas evidências atualmente disponíveis, não foi possível identificar fatores de risco específicos.

Segundo a agência, especialistas "realizaram uma análise aprofundada" de 86 casos de trombose relatados até 22 de março, quando cerca de 25 milhões de pessoas tinham sido vacinadas (dos quais 18 foram fatais).

Depois, continuaram a acompanhar as notificações, que chegaram a 222 casos até 4 de abril, quando cerca de 34 milhões de pessoas já tinham sido vacinadas.

Isso dá uma proporção de cerca de 3,4 casos de trombose a cada 1 milhão de pessoas imunizadas no período até 22 de março e 6,5 casos a cada 1 milhão de pessoas vacinadas no período até 4 de abril.

Coágulo é uma espécie de bloco de sangue com consistência mais sólida.

Segundo a EMA, os coágulos ocorreram nas veias do cérebro, no abdómen e nas artérias, juntamente com níveis baixos de plaquetas sanguíneas e por vezes hemorragia, mas "os benefícios gerais da vacina na prevenção da Covid-19 superam os riscos de efeitos colaterais".

Vacinados x população em geral

"A comparação que você tem que fazer é com a população não vacinada", afirma Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa. "A população não vacinada tem 7 coágulos por milhão de habitantes".

"Não é desejável, mas você continua tendo câncer, infarto de miocárdio, na população como um todo, seja vacinado ou não", exemplifica Vecina.

"O que você tem que acompanhar é se, na população vacinada, algumas dessas coisas estão ocorrendo com uma frequência maior do que na população não vacinada. Essa que é a questão", afirma o sanitarista. "Para saber se aquilo é provocado pela vacina ou pela normalidade da vida"

Link
Notícias Relacionadas »