25/03/2021 às 23h08min - Atualizada em 25/03/2021 às 23h08min

Executivos de Twitter, Google e Facebook são questionados sobre responsabilidade em invasão ao Congresso dos EUA

Zuckerberg (Facebook), Dorsey (Twitter) e Pichai (Google) foram convocados por comitê da Câmara americana para falar sobre desinformação na internet, como posts com mentiras sobre vacinas. Dorsey tuitou durante a audiência, ironizando pedido para que respondessem apenas 'sim' ou não'.

Fonte G1
Twitter, Google e Facebook participam de audiência no Senado dos EUA nesta quarta (28) — Foto: Jose Luis Magana, LM Otero, Jens Meyer/AP Photo

Os presidentes-executivos de Facebook, Twitter e Google participaram nesta quinta-feira (25) de uma audiência online com membros do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Estados Unidos para falar sobre desinformação na internet.

Mark Zuckerberg (Facebook), Jack Dorsey (Twitter) e Sundar Pichai (Google) responderam perguntas dos congressistas por mais de 5 horas.

Eles foram questionados sobre o papel das redes na invasão ao Congresso americano, em janeiro, posts com mentiras sobre vacinas, entre outros temas.

Ironia e 'bronca'

Os congressistas pediram que eles respondessem apenas com "sim" ou "não", chegando a interrompê-los algumas vezes para que não saíssem do formato.

Dorsey, presidente do Twitter, que aparentemente participava da audiência sentado em uma cozinha, tuitou durante o evento. Em um dos posts, ironizou o formato de respostas, criando uma enquete que teve mais de 70 mil votos (veja abaixo).

A deputada democrata Kathleen Rice soube da postagem e chamou a atenção de Dorsey, perguntando como estava o placar e dizendo que a capacidade dele de ser multitarefas era "muito impressionante".


Jack Dorsey, presidente do Twitter durante sessão no Congresso dos EUA nesta quinta-feira (25). — Foto: Reprodução via Reuters

Invasão ao Congresso


O democrata Mike Doyle, que presidiu a sessão, disse que as plataformas digitais são responsáveis pela difusão de desinformação e fomento de violência.

Ele falou sobre o papel das plataformas das empresas em 6 de janeiro, quando apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Capitólio e 5 pessoas morreram.

"Pessoas morreram nesse dia e centenas ficaram gravemente feridas nesse ataque. E o movimento que motivou começou e foi alimentado em suas plataformas, as suas plataformas sugeriram grupos para as pessoas aderirem, vídeos que deveriam ver e postar", disse Doyle.

"Podem retirar este conteúdo", disse Doyle. "Podem reduzir a visão. Podem corrigir isso, mas optam por não o fazer. Vocês escolhem engajamento e lucro em vez da saúde e segurança dos seus usuários".

Os executivos foram perguntados se suas plataformas teriam alguma responsabilidade na invasão de apoiadores do ex-presidente Donald Trump ao Capitólio em 6 de janeiro.

Mark Zuckerberg, do Facebook, afirmou que os responsáveis foram as pessoas que desrespeitaram a lei e citou Trump por incitá-los.

Sundar Pichai, do Google, disse que essa "é uma questão complexa" e Jack Dorsey, do Twitter, foi o único a dizer que sim, mas afirmou que seria "preciso levar em consideração todo o ecossistema de informação".

Desinformação sobre vacinas

Um dos temas debatidos desde o início foi o compartilhamento de desinformação sobre vacinas contra Covid-19 nas plataformas. Em uma das perguntas, um deputado questionou se os líderes das empresas já haviam recebido o imunizante para coronavírus.

Dorsey, de 44 anos, e Zuckerberg, de 36 anos, informaram que ainda não haviam sido vacinados, enquanto Pichai, de 48 anos, afirmou ter recebido a primeira dose na semana passada.

Discursos antecipados

Os executivos anteciparam os seus discursos preparados para a audiência. Eles falaram, com exceção de Dorsey, sobre a "Seção 230", uma lei que protege as empresas da responsabilidade sobre o que é publicado por seus usuários (veja abaixo).

As audiências com os executivos das grandes empresas de tecnologia se tornaram frequentes desde o ano passado para ouvi-los sobre moderação de conteúdos e práticas de mercado. No ano passado, Google e Facebook foram processados nos EUA por práticas anticompetitivas.

Facebook

Mark Zuckerberg defendeu a liberdade de expressão, dizendo que seria impossível "captar cada post prejudicial sem infringir as liberdades das pessoas de uma forma prejudicial para a sociedade".

Em um depoimento escrito seus esforços para diminuir a desinformação na rede social durante as eleições americanas e durante a pandemia.

Segundo ele, publicações com conteúdo político representam cerca de 6% do que as pessoas veem nos EUA sem seus feeds de notícias, mas as conversas na rede sempre irão refletir os debates da sociedade.

Um levantamento da própria empresa em outubro de 2020 mostrou que a maioria das páginas com mais engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos) abordavam esses temas.

Em fevereiro passado, o Facebook anunciou um teste no Brasil e EUA para reduzir a quantidade de posts políticos no feed das pessoas.

"Embora trabalhemos duro para prevenir abusos nas nossas plataformas, as conversas vão sempre refletir aquelas que acontecem em nossas salas, televisões, mensagens de texto e ligações ao redor do país. Nossa sociedade é profundamente dividida, e vemos isso em nossos serviços também", afirmou Zuckerberg.

Em 2018, o presidente-executivo da rede social afirmou que as pessoas se "envolvem desproporcionalmente com o conteúdo mais sensacionalista e provocativo".

Zuckerberg aconselhou os congressistas a se concentrarem em transparência ao reformarem a Seção 230.

"Em vez de ser concedida imunidade, as plataformas deveriam ser obrigadas a demonstrar que possuem sistemas para identificar conteúdo ilegal e removê-lo", disse.

O que constitui um sistema adequado deve depender do tamanho da plataforma e ser estabelecido por um terceiro que garanta as práticas e que seja justo e claro, defendeu.

Google

Sundar Pichai também expôs iniciativas do Google sobre desinformação na pandemia e nas eleições americanas.

Ele fez sugestões para reformar a lei, mas diferente de Zuckerberg, não defendeu a adoção de um conjunto de práticas recomendadas.

Ele afirmou que "sem a Seção 230, as plataformas filtrariam excessivamente o conteúdo ou não seriam capazes de filtrar o conteúdo de forma alguma".

Pichai propôs soluções como o desenvolvimento de políticas de conteúdo claras e acessíveis, notificando as pessoas quando seu conteúdo é removido e dando-lhes maneiras de apelar das decisões de conteúdo.

"Regulação tem um papel importante para assegurar que iremos proteger o que é ótimo na web aberta, enquanto abordamos perigos e melhoramos a responsabilização. Nós, no entanto, nos preocupamos com muitas propostas recentes para mudar a Seção 230 – incluindo revogá-la por completo – não iria servir esse objetivo", afirmou.

Twitter

Jack Dorsey foi o mais breve em sua apresentação. Ele disse que foi criado "um déficit de confiança" em todo o ecossistema de informação nos últimos anos nos EUA e no mundo.

Depois, ele listou iniciativas de combate à desinformação em sua plataforma e comentou sobre duas iniciativas que a companhia está experimentando: o Birdwatch, que permite que as pessoas façam comentários para contextualizar postagens, e a Bluesky, uma equipe independente financiada pelo Twitter que trabalha na criação de padrões abertos e descentralizados para as mídias sociais.

Dorsey foi o único que não abordou especificamente alterações na seção 230 durante o seu testemunho escrito

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