12/01/2021 às 14h26min - Atualizada em 12/01/2021 às 14h26min

Coronavírus já infectava pessoas no ES desde dezembro de 2019

Conclusão é de estudo apresentado pela Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo nesta terça-feira (12), a partir de análises em amostras de sangue de pacientes com dengue e chikungunya

Fonte Agazeta
Amostras de sangue de pacientes com dengue e chikungunya foram investigadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo. Crédito: rawpixel.com/Freepik

Um estudo apresentado nesta terça-feira (12) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) aponta que o novo coronavírus já infectava pessoas no Espírito Santo, pelo menos, desde dezembro de 2019. A conclusão foi feita a partir de análises em amostras de sangue de pacientes que tiveram dengue e chikungunya no período.  

Os técnicos da Sesa  investigaram a presença de anticorpos IgG específicos para SARS-COV-2 (coronavírus) em 7.320 amostras de infecção por dengue e chikungunya ocorridas no Estado desde dezembro de 2019. Desse total, em 210 foi identificada a presença de anticorpos próprios da Covid-19.

"A primeira amostra positiva foi oriunda de uma coleta feita no dia 18 de dezembro de 2019 e se, levarmos em consideração que a IgG só atinge níveis detectáveis 15 a 20 dias pós-infecção, podemos sugerir que a exposição tenha ocorrido preteritamente: ou no final de novembro ou bem no início de dezembro 2019", afirmou o coordenador-geral do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-ES) Rodrigo Rodrigues.

A infecção identificada no Espírito Santo pelas investigações do Lacen é anterior ao primeiro caso brasileiro que se tinha como registro, de 26 de fevereiro de 2020. "Esses  casos de  SARS-COV-2 não diagnosticados precocemente podem ter contribuído para a rápida expansão da Covid-19 no Brasil", analisa o Rodrigues.

HISTÓRICO

Nésio Fernandes, secretário de Estado da Saúde, explicou que ao longo do ano de 2020, o Estado enfrentou duas expansões importantes do coronavírus. Ele destacou que o governo preparou medidas farmacológicas, assistenciais e sociais para evitar que o sistema de saúde entrasse em colapso.

Além da decisão pela ampliação da rede assistencial, a Sesa definiu o aumento da capacidade de testagem dos casos suspeitos de infecção de Covid-19 e adotou a iniciativa de entender melhor a história da doença no Espírito Santo, bem como o comportamento que pudesse explicar o seu espalhamento em solo capixaba.

“Nós tivemos nosso primeiro caso diagnosticado pela metodologia RT-PCR no final de fevereiro. A doença foi se espalhando ao longo do primeiro semestre do último ano e tivemos um comportamento também da concomitância das endemias de dengue e chikungunya, em especial, na Grande Vitória. As arbovirores tem características que nos levaram a levantar algumas questões no que diz respeito à possibilidade de que muitos casos suspeitos de arboviroses de poderiam ser casos de Covid-19”, disse Nésio

Em agosto do ano passado, o governo baixou uma portaria que determinava a obrigatoriedade de testagem de SARS-COV-2 de todas as amostras presentes no Lacen. O coordenador do Laboratório Central, Rodrigo Rodrigues, relatou que das 7.370 amostras estocadas, 5.472 eram positivas para dengue ou chikungunya.

"O anticorpo pesquisado para arbovirose era a IgM, que aparece precocemente, indicando a fase aguda da doença.  Para identificar o SARS-COV-2, os pesquisadores buscaram o IgG, que aparece após a infecção.  

"Dentre as amostras avaliadas, encontramos 210 que reagiram positivamente para a presença do anticorpo anti-SARS-COV. Entre as 210 positivas, 79 amostras reagiram positivamente contra outras arboviroses, mostrando que 210 inicialmente eram suspeitas de possuir uma arbovirose, mas também possuíam uma infecção por SARS-COV que ocorreu de uma forma desconhecida pela doença que estava em mais evidência", detalha Rodrigues
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