03/08/2020 às 12h34min - Atualizada em 03/08/2020 às 12h34min

Dólar opera em alta e volta a superar R$ 5,30

Na sexta-feira, moeda norte-americana fechou a R$ 5,2170, mas acumulou queda de 4,09% em julho. No ano, dólar ainda tem alta de 30,11%.

Fonte G1
Notas de dólar — Foto: Gary Cameron/Reuters

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (3), superando R$ 5,30, em início de semana marcado pelo foco no aumento de casos de coronavírus e nas negociações de um pacote de auxílio econômico nos Estados Unidos, enquanto os investidores aguardavam a decisão do Banco Central do Brasil eventual novo corte na taxa básica de juros do país.

Às 11h59, a moeda norte-americana subia 2,15%, vendida a R$ 5,3292. Na máxima até o momento, chegou a R$ 5,3363.

Na sexta-feira, o dólar fechou em alta de 1,15%, a R$ 5,2170. A moeda acumulou, porém, queda de 4,09% no mês. No ano, ainda tem alta de 30,11%.

O Banco Central realizará nesta segunda-feira leilão de swap tradicional de até 10 mil contratos com vencimento em novembro de 2020 e março de 2021.

Cenário externo e local

Um impasse no Congresso norte-americano causado por divergências entre republicanos e democratas sobre o tamanho de um pacote de auxílio preocupava investidores de todo o mundo, uma vez que a economia dos Estados Unidos está longe de uma recuperação e segue ameaçada pela alta nos casos de coronavírus no país.

Além disso, em meio à deterioração das finanças públicas do país e à ausência de um plano crível de consolidação fiscal, a agência de classificação de risco Fitch reduziu na sexta-feira, após o fechamento dos mercados, a perspectiva para o rating dos Estados Unidos de "estável" para "negativa".

"O mercado está olhando muito lá para fora", disse à Reuters Fernanda Consorte, estrategista de câmbio do banco Ourinvest. "Você tem uma expectativa em relação ao pacote de 1 trilhão nos Estados Unidos, mas as negociações estão duras, está difícil de sair. Isso, junto com o aumento de casos de coronavírus", levanta dúvidas sobre a saúde da economia, gerando apreensão e, consequentemente, aversão a risco, acrescentou.

No exterior, diante desse cenário, o dólar era ganhador contra uma cesta de moedas fortes e também diante de pares arriscados do real, como lira turca, peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano.

Já os preços do petróleo operam em queda por preocupações com as consequências econômicas dos crescentes casos de Covid-19 pelo mundo e temores de que o mercado fique com sobreoferta à medida que a Opep e seus aliados flexibilizam cortes de produção em agosto.

Na China, dados da indústria mostraram expansão em julho, sinalizando uma continuidade da trajetória de recuperação da economia global.

No Brasil, os economistas do mercado financeiro reduziram novamente a estimativa para o tombo Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, revisando a projeção para uma retração de 5,66%. Essa foi a quinta semana seguida de melhora do indicador.

O mercado segue prevendo nova queda da taxa básica de juros da economia brasileira na próxima quarta-feira (5). Atualmente, a Selic está em 2,25% ao ano. A previsão dos analistas é de que a taxa recue para 2% nesta semana e que assim permaneça até o fim deste ano.

Já para o dólar, a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2020 continuou em R$ 5,20. 4

Muitos analistas citam o ambiente de juros baixos como um dos principais fatores para a disparada do dólar em 2020, uma vez que reduz rendimentos locais atrelados à Selic, prejudicando o investimento estrangeiro e, consequentemente, o fluxo cambial
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