20/07/2020 às 12h38min - Atualizada em 20/07/2020 às 12h38min

Homem que matou namorada e escondeu corpo em geladeira não tinha aceitado separação, diz polícia

Delegada disse que suspeito era obcecado pela vítima, a perseguia no trabalho e, quando ela quis terminar a relação, ele apertou seu pescoço. Ele foi preso no sábado (18) na casa da tia, em Sabará, na Grande BH.

Fonte G1
Elisângela de Souza foi vista pela última vez na sexta-feira (10) — Foto: Arquivo Pessoal

A delegada Ingrid Estevam disse em coletiva nesta segunda-feira (20) que o homem de 26 anos suspeito de matar e esconder o corpo de Elisângela Vespermann, de 30, dentro da geladeira da casa onde ela morava, em Belo Horizonte, cometeu o crime porque não aceitou o fim do namoro.

A Polícia Civil disse que, no dia 8 de julho, vítima e suspeito chegaram em casa, tomaram banho, jantaram e mantiveram relações sexuais.

Mais tarde, Elisângela disse ao autor que não queria permanecer com o relacionamento, mas, inconformado, ele apertou o pescoço dela e a matou asfixiada, de acordo com as investigações policiais.

A delegada disse que ele retirou as grades da geladeira, "dobrou" o corpo e o pôs lá dentro. Ele fechou com durex e virou a porta para a parede.

"Ele, friamente, resolve ocultar o cadáver. Colocou o cadáver pra não dar cheiro, maldade mesmo. Pra não exalar cheiro", falou Ingrid.

O corpo de Elisângela foi encontrado no dia 15 pelo ex-marido porque ele desconfiou do sumiço dela.

Como se conheceram

Ingrid disse que Elisângela e o suspeito se conheceram em março deste ano por meio do WhatsApp, quando ele morava ainda em Catalão (GO). Ele teria terminado o casamento naquela cidade para vir para Belo Horizonte e se relacionar com a vítima.

Contudo, de acordo com as investigações, o homem era obcecado por Elisângela. Ele a acompanhava até o fast food onde ela trabalhava e permanecia na porta até que ela terminasse o expediente.

"Ele [o suspeito] começou a ficar muito inciso no relacionamento. Ele ia muito ao local de trabalho para vigiá-la, para persegui-la", disse a delegada.

A polícia disse que, às vezes, ele chegava ao trabalho de Elisângela antes mesmo dela. Essa obsessão fazia com que o suspeito dormisse na casa da vítima vários dias na semana. Ainda segundo a delegada, em junho, a vítima chegou a dizer que tinha medo dele, caso houvesse o rompimento do relacionamento.

O homem furtou o chip do celular da mulher para ter acesso às informações que ela trocava com outras pessoas.

Dia do crime

No dia 8 de julho, ele e a vítima haviam dormido juntos e os dois saíram de casa por volta das 6h. Ambos chegaram ao serviço dela às 7h. Ela entrou para trabalhar e ele ficou na porta do fast food.

Às 16h, quando ela foi fazer horário de almoço, os dois saíram juntos. Na volta, o suspeito permaneceu na porta da lanchonete.

A presença do homem incomodou a gerência do local e a Polícia Militar (PM) foi chamada. Os policiais perguntaram se ela o conhecia e ela afirmou que sim, que eles namoravam. A PM revistou o homem e foi embora. O autor permaneceu em frente ao trabalho da namorada até as 19h, horário em que ela saiu.

Os dois foram para o ponto de ônibus, mas, como o coletivo já havia passado, eles pegaram um carro por aplicativo. Uma câmera de segurança registrou os dois chegando em casa, por volta das 19h40.

Às 21h40, o crime foi consumado, segundo as investigações. Depois de esconder o corpo na geladeira, ele recolhe roupas dele e dela, liga para um familiar para buscá-lo e vai para Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais.

A ausência de Elisângela no trabalho só foi percebida no dia 10, porque no dia 9 ela estaria de folga. A gerente entrou em contato e o homem com o celular da vítima se passou por ela e disse que estava no interior cuidando de uma avó e que, por isso, não iria trabalhar. O suspeito pegou fotos da internet e mandou à gerente, simulando a viagem.

Desconfiado do sumiço da ex-mulher, no dia 15 de julho, o ex-marido de Elisângela chamou um chaveiro para abrir a porta do apartamento, momento em que encontrou o corpo na geladeira.

Buscas pelo suspeito

O suspeito foi encontrado na casa da tia em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A parente disse à polícia não sabia do crime e que não via o sobrinho havia quatro anos.

O suspeito estava dentro do quarto, mexendo nas coisas dele, e no local foi encontrada a blusa que ele usou no dia do crime. Ele negou o assassinato e depois ficou em silêncio. O homem foi encaminhado para o Centro de Remanejamento Prisional (Ceresp).

A delegada informou que não houve relacionamento extraconjungal por parte da vítima e que ela estava separada do ex-marido, que encontrou seu corpo.

O autor não tinha passagem pela polícia e trabalhava como motorista por aplicativo. Ele deve ser indiciado por feminicídio duplamento qualificado e ocultação de cadáver.

Relembre o caso

Quem encontrou o corpo foi o ex-marido da vítima que informou a polícia que eles eram casados apenas no papel e já não moravam mais juntos, mas a separação ainda não estava oficializada. O casal não se falava havia cerca de um mês.

O homem teria achado estranho o sumiço da ex-mulher e resolveu ir até o apartamento. Como não conseguiu abrir a porta, chamou o irmão e a cunhada para ajudá-lo. E, em seguida, solicitou a presença de um chaveiro para entrar no imóvel.

Quando entrou, notou que a geladeira estava virada para a parede e vedada com uma fita adesiva transparente. Ao desvirá-la, encontrou o corpo da mulher, e acionou a Polícia Militar. A perícia também esteve no local e constatou que ela apresentava sinais de violência no tórax e nos braços, além de enforcamento.

As três testemunhas que entraram no imóvel foram levadas à delegacia para prestar depoimento.

O corpo da vítima foi sepultado nesta sexta-feira (17), no cemitério Belo Vale, em Santa Luzia, na Grande BH.

BO contra namorado

Segundo a polícia, no mês passado a vítima havia denunciado o homem de 26 anos com o qual vinha mantendo uma relação extraconjugal, que é suspeito do feminicídio. No boletim de ocorrência (BO), ela registrou que o namorado não estaria aceitando o fim do relacionamento e havia ameaçado se matar, além de ter ameaçado familiares dela.

A mulher trabalhava como balconista em uma rede de fast food no bairro Guarani, também na Região Norte da capital, e não era vista no local pelos colegas desde o dia do crime
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