15/07/2020 às 16h27min - Atualizada em 15/07/2020 às 16h27min

COVID-19: pico não confirmado expõe decisões do governo de Minas que não frearam a doença

Secretário de Estado de Saúde de Minas, Carlos Eduardo Amaral, fala em platô com a manutenção de casos e mortes em níveis altos

Fonte Estado de Minas
(foto: Rede Minas/Reprodução)

O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, reconheceu que o pico da COVID-19, projetado para esta quarta-feira (15), não se confirmou. Embora os números estejam em patamar alto, 82 mil casos confirmados e 1.752 mortes, o secretário disse que o estado não deverá repetir comportamento verificado em outros países e até em outros estados brasileiros, que chegaram no ápice da curva e, depois, viram os números decrescerem.

Sem apontar quando os números podem começar a cair, embora tenha dito na coletiva de terça sobre a tendência de queda, o secretário apresentou algumas das bases adotadas pelo estado no enfrentamento ao novo coronavírus.

Ele reforçou que o governo de Minas pretende não ampliar o número de testes, medida indicada pela Organização Mundial de Saúde e adotada por muitos países que conseguiram frear a doença. Ao contário, Carlos Amaral afirmou que o plano é manter a testagem em grupos específicos: pacientes com sintomas da doença, profissionais da saúde e da segurança, população carcerária e população de idosos que vivem em casas de recolhimento.

O secretário acredita que a ampliação no número de leitos é a forma mais eficaz de lidar com a epidemia. O secretário ressalta que a SES apliou de 2.072 para cerca de 3.400 o número de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI). Ele ainda afirmou que está distribuindo respiradores como forma de ampliar os leitos. Segundo o secretário, são entregues 18 respiradores por dia às unidades de saúde no estado.

Apesar de a semana ser considerada a de maior estresse para o sistema assistencial,  o secretário-adjunto Marcelo Cabral não vê falha no planejamento do Hospital de Campanha que abriu, nesta semana, com apenas 30 leitos. Ele informou que foi escolhida a organização social que fará o gerenciamento do espaço, no entanto, não informou qual o nome da instituição nem quando ela começará a atuar.

Mesmo com baixa testagem, os números do próprio governo demonstram o avanço do novo coronavírus. A partir dos diagnósticos positivos, o secretário informou que o percentual de positividade é de 35%, ou seja, para cada suspeito de diagnóstico há 35% de chances de confirmar a COVID-19. Em Minas, um terço das suspeitas se confrma.
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