30/06/2020 às 13h56min - Atualizada em 30/06/2020 às 13h56min

Bachelet diz estar preocupada com 'negação da realidade' e polarização ligadas à pandemia no Brasil e em outros países

Michelle Bachelet, comissária de direitos humanos na ONU, fez um discurso sobre os impactos da pandemia de Covid-19. Ela criticou Brasil, EUA, Belarus, Tanzânia, Burundi e Nicarágua.

Fonte G1
Michelle Bachelet durante discurso no dia 30 de junho de 2020 — Foto: Denis Balibouse/Reuters

A comissária de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, incluiu o Brasil entre os países que não lidam bem com as consequências sociais da pandemia de Covid-19 nesta terça-feira (30).

"Na Belarus, Brasil, Burundi, Nicarágua, Tanzânia e nos Estados Unidos -entre outros- estou preocupada com declarações que negam a realidade do contágio viral, e pela crescente polarização em temas chave, que pode intensificar a severidade da pandemia por torpedear esforços para conter o surto e fortalecer os sistemas de saúde", afirmou a chilena.

Bachelet fez um relatório sobre seu ano à frente da Comissão de Direitos Humanos. O tema da Covid-19 dominou o discurso. "Seis meses depois da detecção dos primeiros casos, é nítido que essa epidemia ameaça tanto a paz como o desenvolvimento, e isso pede mais direitos cívicos, políticos, econômicos, sociais e culturais, não menos", disse ela.

Bachelet afirmou que a pandemia deveria estimular os governos a adotar medidas fortes e transformadoras para aumentar as proteções que podem ser dadas por políticas baseadas em direitos humanos. Isso acontece com a promoção de saúde pública, confiança nas diretrizes oficiais e mais resiliência econômica.

Durante sua fala, ela pediu para que os países adotem uma liderança "baseada em claridade, evidência e princípios para proteger os membros mais vulneráveis da sociedade, para dar uma resposta às profundas desigualdades que se aceleram com o impacto da pandemia".

"É vital que os líderes mantenham comunicação consistente, com credibilidade e baseada em fatos com o povo que eles servem."

Ela elogiou alguns países --especialmente a Coreia do Sul. "O governo reconheceu logo no início que eram necessárias políticas para alcançar os mais vulneráveis na sociedade coreana, inclusive os idosos, os sem teto, a comunidade LGBTI e imigrantes sem documentação."
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