03/12/2019 às 11h02min - Atualizada em 03/12/2019 às 11h02min

PIB do Brasil cresce 0,6% no 3º trimestre, puxado pelo consumo das famílias

Resultado mostra leve aceleração do ritmo de recuperação entre julho e setembro. Resultado do 2º trimestre foi revisado para uma alta 0,5%, ante leitura anterior de avanço de 0,4%.

Fonte G1

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,6% no 3º trimestre, na comparação com o 2º trimestre, puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento privado, segundo divulgou nesta terça-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,842 trilhão.

O resultado mostra uma leve aceleração da recuperação da economia entre julho e setembro, embora em ritmo ainda fraco e mais lento do que se esperava no começo do ano.

O IBGE revisou o resultado do PIB do 2º trimestre para uma alta 0,5%, ante leitura anterior de avanço de 0,4%. Já o resultado do 1º trimestre foi revisado para uma estabilidade, em vez de queda de 0,1%. Veja abaixo a série trimestral atualizada:

Variação trimestral do PIB  — Foto: Juliane Souza/G1

Variação trimestral do PIB — Foto: Juliane Souza/G1

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Entre os grandes setores, a maior alta no 3º trimestre foi da agropecuária com crescimento de 1,3%, seguida pela indústria (0,8%) e pelos serviços (0,4%). Pela ótica da despesa, o consumo das famílias cresceu 0,8% e o investimento 2%. Já o consumo do governo caiu 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Veja os principais destaques do PIB no 3º trimestre:

  • Serviços: 0,4% (com destaque para o comércio e atividades de informação e comunicação, com alta de 1,1%, em ambos)
  • Agropecuária: 1,3%
  • Indústria: 0,8% (maior alta desde o 4º trimestre de 2017, puxada pela indústria extrativa, que cresceu 12%, compensando a queda de 1% da indústria de transformação)
  • Construção civil: 1,3% (com o crescimento puxado pelo mercado imobiliário)
  • Consumo das famílias: 0,8% (melhor resultado desde o 3º trimestre de 2018)
  • Consumo do governo: -0,4%
  • Investimentos: 2% (2ª alta seguida, mas abaixo do avanço de 3% registrado no 2º trimestre)
  • Exportação: -2,8% (3ª queda seguida, afetada pela desaceleração global e pela recessão na Argentina)
  • Importação: 2,9%
Variação trimestral dos setores da economia — Foto: Juliane Souza/G1

Variação trimestral dos setores da economia — Foto: Juliane Souza/G1

PIB ainda está no patamar de 7 anos atrás

Em relação ao 3º trimestre de 2018, o crescimento foi de 1,2%, a décima primeira alta consecutiva nesta base de comparação.

No acumulado em 12 meses, o PIB registrou crescimento de 1%, frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. No acumulado do ano até setembro, o PIB cresceu 1%, em relação a igual período de 2018.

Apesar da leve melhora, o PIB ainda está 3,6% abaixo do pico da série, atingido no primeiro trimestre de 2014. O resultado mantém a economia brasileira em patamar semelhante ao que se encontrava no 3º trimestre de 2012, segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O resultado veio um pouco melhor do que o esperado pelo mercado. A maioria das estimativas apontavam para um crescimento entre 0,4% e 0,5% no 3º trimestre, segundo levantamento do G1.

IBGE revisa PIB de 2018 para alta maior, de 1,3%

Historicamente, as projeções para o 3º trimestre possuem sempre um grau de dificuldade maior, por conta das revisões nos resultados dos últimos 2 anos incorporadas na divulgação. No início do mês, o IBGE anunciou que a alta da economia brasileira em 2017 foi maior, de 1,3%, ante 1,1% divulgado anteriormente.

Nesta terça-feira, o IBGE também revisou o resultado do PIB consolidado de 2018, para uma alta de 1,3%, em vez de 1,1%.

PIB sob a ótica da demanda — Foto: Rodrigo Sanches/G1

PIB sob a ótica da demanda — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Consumo das famílias acelera

O consumo das famílias acelerou para uma alta de 0,8%, após um avanço de 0,6% no 1º trimestre e de 0,2% no 2º trimestre, representando o principal destaque positivo do PIB no 3º trimestre. Foi o melhor resultado desde o 3º trimestre de 2018, quando também avançou 0,8%.

Entre os fatores que têm contribuído para um maior consumo, os analistas citam a queda da taxa básica de juros (Selic), a inflação baixa, expansão do crédito, início dos saques do FGTS – que poderão injetar até o final do ano cerca de R$ 30 bilhões na economia – e de recuperação do mercado de trabalho, ainda que lenta e puxada pela informalidade, que tem feito aumentar a massa salarial e o número de brasileiros ocupados e com alguma renda.

“Como o consumo das famílias pesa 65% da economia, claro que esses fatores dão ganho para a economia”, destacou a pesquisadora do IBGE.

Investimentos e retomada da construção civil

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 2% no 3º trimestre, puxado pela construção civil, que desde o trimestre anterior passou a mostrar recuperação após 20 trimestres seguidos de encolhimento.

Na comparação com igual trimestre do ano anterior, a construção avançou 4,4% – melhor resultado 1º tri mestre de 2014, quando cresceu 8,2%. “A construção cresceu nesses dois trimestres, mas o nível ainda está 30% abaixo do dado máximo, que foi alcançado no primeiro trimestre de 2014”, destacou Palis.

 

A pesquisa mensal de desemprego do IBGE já vinha mostrando movimento de recuperação da construção, com crescimento do número de trabalhadores ocupados, em meio ao aumento do número de lançamentos e do volume de financiamentos imobiliários.

A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2019 foi de 16,3% do PIB, a mesma que foi observada no mesmo período do ano anterior. A taxa de poupança ficou em 13,5% do PIB, ante 13,1% no mesmo período de 2018.

Já o consumo do governo caiu 0,4% no 3º trimestre, após já ter recuado 03% no 2º trimestre.

“Estamos com restrição orçamentária nos três níveis de governo, o que está puxando a economia para baixo. E o setor externo também está puxando para baixo, com as importações crescendo e as exportações caindo há três trimestres”, destacou a pesquisadora.

Perspectivas para 2019 e 2020

Para o resultado consolidado de 2019, o mercado financeiro manteve a previsão de crescimento da economia brasileira em 0,99%, segundo última pesquisa "Focus" do Banco Central, divulgada na véspera. No final de janeiro, a estimativa era de um crescimento de mais de 2% no ano.

Os analistas projetam, porém, uma aceleração do ritmo de recuperação da economia nesta reta final de 2019 e em 2020.

Para 2020 o ano que vem, a média das estimativas do mercado subiu na semana passada para 2,22% – na quarta alta seguida.

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