19/10/2019 às 13h41min - Atualizada em 19/10/2019 às 13h41min

Mancha de óleo atinge praia de Carneiros e população se mobiliza para limpeza

Com origem desconhecida, o poluente se espalha pelo litoral nordestino desde o início de setembro e já atinge 187 pontos, do Maranhão à Bahia

Fonte Estado de Minas
(foto: Fellipe Figueiroa)

A praia de Carneiros e a praia da Boca, em Tamandaré (PE), amanheceram manchadas de petróleo cru nesta sexta-feira, 18. Em São José da Coroa Grande, cidade vizinha, a prefeitura decretou estado de emergência na quinta-feira por causa da chegada do óleo a região. No estado, são 24 pontos atingidos até o momento, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Com origem desconhecida, o poluente se espalha pelo litoral nordestino desde o início de setembro e já atinge 187 pontos, do Maranhão à Bahia. Apesar de a Agência Estadual de Meio Ambiente ter dito não haver o componente químico em Pernambuco esta semana, as manchas voltaram a surgir por causa da força das marés.

"Dia 2 de setembro apareceu em Tamandaré o óleo, era do tamanho de uma bolacha (cada mancha). Mas de ontem (quinta) para hoje (sexta), veio muito óleo mesmo. Estamos correndo contra a maré, que está enchendo. A tendência é uma parte do óleo ficar soterrada e outra voltar para a água", afirma Joab Almeida, da Associação de Garis Marítimos. "A gente tem uma unidade de conservação de corais, que é uma das maiores. Se esse piche estiver sobre a unidade, acaba o banco de corais", teme Joab.

Em conversa com o Estado de Minas, a empresária e proprietária do hotel Pontal dos Carneiros Beach Bungalows, Christiana Rocha, afirmou que as manchas apareceram na madrugada de sexta-feira. “Apareceu na madrugada, levamos um susto”, declarou. “Disponibilizamos luvas, sacos e lonas para transportar o óleo. Meus funcionários foram voluntariamente ajudar na limpeza da praia para deixar pronta para nossos turistas”, disse.

Cristiane ainda descreveu a mobilização para a limpeza das praias. “Juntou todo mundo, empresários, turistas, moradores, prefeitura, Ibama e Marinha, tudo para limpar a praia”, disse. “Nunca vi nada igual”, terminou.

Rosalvo Rocha Neto, presidente da Associação para Desenvolvimento Sustentável da Praia de Carneiros (ADSC), relatou a preocupação dos moradores do município de Tamandaré. “A gente vem acompanhando a situação já há algum tempo. Vimos as manchas chegarem em Sergipe, depois em Alagoas… Já estávamos esperando e estávamos preparados”, disse. “É um acidente terrível. Muito triste. A gente vê que em alguns lugares o impacto é maior. Com animais sofrendo. A gente tentou fazer o máximo para impedir o impacto ambiental”, comentou.

De acordo com Rosalvo, a ADSC teria lançado um um documento para práticas sustentáveis na última semana. Com a presença de líderes políticos e apoio da população, a carta intitulada como “Carneiros Sustentável”, visa o compromissos da população com medidas a favor da natureza. “A carta tem práticas com prazos para se cumprir nos próximos 10 anos, como, por exemplo, abolir os canudos, garrafas e sacolas plásticas, além de priorizar energias sustentáveis”, disse.

A Marinha, a Petrobras, a Transpetro e a Defesa Civil do Estado colocaram boias para conter o avanço da substância tóxica no Rio Persinunga e no Rio Una, em área limítrofe entre Pernambuco e Alagoas. Até o momento, no entanto, a contenção não chegou a Tamandaré, segundo o secretário de Meio Ambiente do município, Manoel Pedrosa.

"O avanço do óleo nos pegou de surpresa. Não se consegue saber de onde vem a mancha. Lançamos uma embarcação para tentar encontrar e usar barreiras de contenção, que não chegam. Conseguimos fazer a limpeza com 1,5 mil pessoas, limpando 1,5 quilômetro de praia e 25 mil litros do óleo", contabiliza Manoel.

O publicitário Fellipe Figueiroa, que estava de férias na praia de Carneiros, relatou a sujeira da praia. "Até ontem, estava tudo normal por lá. A água muito limpa. Nenhum sinal de óleo…mas quando as manchas vieram, rapidamente chegaram várias pessoas limpando”, disse. “Não sei dizer sobre as outras pousadas. Na que eu estava, uma mulher, não sei se era a dona, logo cedo me disse que recebeu uma ligação da prefeitura informando sobre o óleo. E que o padre de uma igrejinha que fica à beira-mar estava mobilizando umas pessoas para ajudar na limpeza”, finalizou.

Em nota, o Ibama afirma que as barreiras de contenção são importantes para conter a contaminação de outras áreas litorâneas, mas reconhece que a medida "pode não alcançar a eficácia pretendida". A instituição explica que o petróleo se concentra na camada subsuperficial do mar e não consegue ser identificado facilmente por satélites ou equipes de monitoração.

As prefeituras de São José da Coroa Grande e de Tamandaré advertem os banhistas a não ter contato com o poluente sem usar luvas de proteção. A convocação de voluntários para auxiliar na limpeza foi autorizada por causa do estado de emergência e do desastre natural
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