15/10/2019 às 15h19min - Atualizada em 15/10/2019 às 15h19min

Mineiro recuperado de câncer terminal volta para casa e vai começar fisioterapia

Paciente que superou linfoma em estágio avançado com técnica inovadora teve alta e agora terá de ganhar peso e se dedicar a exercícios

Fonte Estado de Minas
Vamberto nos últimos dias de internação: alta após cerca de um mês (foto: Hugo Caldato/Hemocentro RP/Divulgação)

Imagens de exames feitos pela equipe de médicos que atendeu o aposentado Vamberto Luiz de Castro, de 63 anos, internado com câncer em estado terminal no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), ligado à Universidade de São Paulo (USP), mostram a evolução do tratamento. Há um mês, o corpo do mineiro estava tomado por tumores. Depois da aplicação da terapia inovadora que usa células do sistema imunológico (células T) retiradas do próprio paciente e geneticamente modificadas, novos exames mostraram que a maioria das células cancerígenas desapareceu, assim como os nódulos e as dores do paciente. A equipe médica confirmou ontem que Vamberto deixou o hospital no fim de semana e voltou para casa.

O procedimento experimental foi empregado por médicos e pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP) em setembro, e resultou na remissão da doença. Como perdeu bastante peso e ficou deitado por muitos dias, a partir de agora Vamberto terá que fazer a recuperação do peso e exercícios de fisioterapia para que sua mobilidade volte ao normal, explicam os especialistas. “Ainda é cedo para dizer que ele está curado, mas ele não apresenta mais sinais da doença e era um paciente que já estava em cuidados paliativos”, disse o médico Renato Cunha, um dos médicos responsáveis pela terapia.

No caso do aposentado, o câncer afetava o sistema imunológico, já havia se espelhado e o levou a um prognóstico de apenas um ano de vida. Mas, de acordo com a equipe médica, em menos de 20 dias após o início do tratamento, ele – que precisava de morfina e tinha nódulos por todo o corpo – já não apresentava mais sintomas da doença. “Os gânglios no pescoço desapareceram, ele parou de tomar morfina para dor, ganhou três quilos, voltou a andar”, conta Renato Cunha.


Exames de imagem mostram paciente quando chegou ao hospital e regressão da doença depois da terapia (foto: Fantástico/Reprodução)


O tratamento bem-sucedido foi realizado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de uma pesquisa que está sendo realizada na universidade, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Essa terapia, porém, ainda é considerada experimental. A expectativa, agora, é de que a terapia seja testada em pelo menos outros 10 pacientes e, no futuro, esteja disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas são necessários mais investimentos para que seja ampliada a estrutura disponível para a pesquisa.

Tecnologia nacional

O paciente, diagnosticado em 2017 e sem sucesso nas diversas quimioterapias desde então, foi beneficiado pelo chamado uso compassivo, “quando já não há nenhuma opção e, portanto, é possível tratar o doente com métodos experimentais”, esclareceu Cunha. A equipe da USP, composta por 20 pesquisadores, desenvolve o método nacional de produção das chamadas células CAR T há quatro anos.


(foto: Arte EM)

Segundo os especialistas, a CART-Cell é uma forma de terapia genética já empregada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão, indicada para combater linfomas e leucemia linfoide aguda. A técnica, ainda recente, está em fase de pesquisas e é ainda pouco acessível no Brasil. Nos EUA, os tratamentos comerciais já receberam aprovação, mas podem custar mais de US$ 400 mil. De acordo com os médicos que desenvolveram a metodologia nacional, o custo foi de apenas R$ 150 mil.

Vamberto foi o primeiro paciente a ser tratado na América Latina a partir da inovadora técnica que usa células T do sistema imunológico retiradas do próprio paciente e geneticamente modificadas. Na maioria das vezes, basta uma única dose. O método consiste em usá-las após manipulação em laboratório que permite que possam identificar e passar a combater as células causadoras do câncer. Uma vez modificadas e injetadas novamente no paciente, elas se reproduzem aos milhões e atacam as células cancerígenas.
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