09/10/2019 às 13h49min - Atualizada em 09/10/2019 às 13h49min

Detento que já foi professor pelo estado de MG ajuda presos em cursinho dentro de presídio de Coronel Fabriciano

Preso desde novembro de 2018, Silvano Domingos Soares ainda aguarda julgamento. Além de dar aulas pelo estado, ele também atuava no ensino privado.

Fonte G1
Silvano trabalhava pelo estado de MG e no sistema privado. Ele dava aula de historia, geografia, sociologia da educação e filosofia da educação — Foto: Cíntia Garcia

As provas do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para detentos e jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Encceja Nacional PPL), começaram a ser aplicadas nesta terça-feira (8) e terminam na quarta-feira (9) em todo o país.

Em Coronel Fabriciano (MG), 72 presos se inscreveram para a avaliação. Para ajudá-los no exame, foi pensado um cursinho preparatório com a participação de professores voluntários que vão à unidade duas vezes por semana. Os detentos foram divididos em duas turmas e recebem aula de história, ciências, redação e geografia.

Um desses voluntários é o Silvano Domingos Soares, professor de geografia, que está preso desde novembro do ano passado. Ele foi transferido para o presídio da cidade em fevereiro deste ano e aguarda julgamento.

Formado em geografia e história, Silvano trabalhava pelo estado de Minas Gerais em dois cargos e dava aulas em escolas do ensino privado. Há quase três meses contribui para o sucesso dos detentos que fazem o exame.

“Para mim, é uma experiência muito nova que eu jamais imaginaria dar aula no presídio, mas como aconteceu e estou aqui, estou preparado e agradeço muito a oportunidade que a direção me concedeu de preparar o pessoal para um exame nacional”, disse.

Além de deixar os alunos prontos para a avaliação, Silvano acredita que as aulas podem ajudá-los não só na prova. “Eu costumo dizer que quem tá passando por esse momento aqui, tem que ter uma perspectiva de vida lá fora, essas aulas servem para os alunos recomeçarem a vida lá fora, quando saírem do presídio”, afirmou.

Benício Pinheiro Neto, que é um dos detentos inscritos no Encceja, acredita que vai ter um bom resultado nas provas. “A expectativa é a melhor possível. Eu creio que vou passar nessa prova, 100%”.

“As aulas estão sendo muito valorosas para o nosso conhecimento e vou passar também”, disse um outro detento, Wilton Barros.

Assim como eles, Silvano também acredita na turma e em um bom resultado com os ensinamentos que passou para os alunos. “Eu faço uma avaliação de que a turma é uma turma boa, presta muita atenção, dedicada, os estudantes estão com esse objetivo focado que é concluir o ensino fundamental e, também, na remissão que me parece ser 100 dias”
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