13/08/2019 às 19h26min - Atualizada em 13/08/2019 às 19h26min

Dono de oficina condenado à prisão por inventar defeito em carros no ES

Com defeitos inexistentes, veículos ficavam meses parados na oficina até que clientes desistiam de esperar, vendiam o bem para o empresário, mas nunca recebiam o dinheiro

Fonte Gazeta Online
Ayres Francisco dos Santos usava o próprio estabelecimento para cometer crimes - Foto: Polícia Civil | Divulgação

O empresário Ayres Francisco dos Santos, de 39 anos, foi condenado pela 4ª Vara Criminal de Vitória a 13 anos e 6 meses de prisão e 135 dias-multa por crime de estelionato. Preso desde o dia 6 de agosto do ano passado, o empresário era proprietário de uma oficina mecânica no bairro Jardim Camburi, Vitória.

De acordo com a decisão da juíza Gisele Souza de Oliveira, o réu se aproveitava da confiança conquistada dos clientes para mentir sobre defeitos inexistentes nos veículos. Assim, os serviços demoravam meses para ficarem prontos e, às vezes, voltavam a apresentar defeitos assim que eram entregues.

O ESQUEMA

Com a demora para o conserto e a recorrência dos defeitos, as vítimas desistiam de esperar e o empresário, agindo de forma premeditada, se oferecia para comprar os veículos e os convencia a fazer a transferência da documentação antes da quitação da dívida.
 
Esses bens eram revendidos por Ayres, que causava prejuízo tanto para os clientes que não recebiam o valor, quanto para os terceiros que compravam os carros sem ter conhecimento do esquema.

MAIS DE 100 VÍTIMAS

Segundo a juíza, neste processo, 12 vítimas foram citadas, mas existem outras investigações em curso e é possível que o réu tenha feito mais de 100 vítimas, inclusive em outros Estados.

Além dos crimes de estelionato, durante a investigação, o empresário também tentou influenciar no depoimento das vítimas. A magistrada afirma que houve, inclusive, relatos de ameaças a uma delas.

A juíza destaca que, embora tenha negado os crimes, o réu acabou confessando algumas das condutas criminosas.

“Ao confirmar a realização das transações com os clientes vítimas, afirmando que as fazia para obter lucro e quitar outras dívidas adquiridas por alegada crise financeira, o réu assumiu que, na verdade, fazia uma espécie de ‘falcatrua’, com a qual acabou se enrolando.”, diz a sentença.

INDENIZAÇÃO

O Ministério Público Estadual havia pedido uma indenização pelos danos causados às vítimas. A juíza decidiu que as reparações deverão ser feitas, em valores mínimos que, somados, chegam a R$ 216 mil.

PRISÃO

Segundo informações da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), o empresário está preso no Centro De Detenção Provisória de Viana II, desde agosto do ano passado.

A reportagem fez contato com o advogado de defesa, que disse que ainda não vai se manifestar sobre a decisão da Justiça
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