História da Cidade

BAIXO GUANDU - ES

Esta foto foi tirada exatamente no dia 10 de abril de 1935, quando a população comemorava nas ruas a emancipação política de Baixo Guandu - Foto Reprodução

Aparece à esquerda, o frei Affonso, que na época atendia a paróquia guanduense, o interventor João Punaro Bley e esposa, Fritz Von Lutzow e a esposa Otília, além da filha do casal Margareth e várias outras pessoas da comunidade. A casa à direita é a atual agência do Banestes. Também podemos observar, ao fundo, que a matriz de São Pedro ainda não havia sido construída.

No tempo em que os bandeirantes e São Vicente e Santo Amaro penetravam os sertões do Brasil, no Espírito Santo se combatia o gentio, disseminados da orla marítima e encostas interiores e que, perseguido na região litoranea, refugiava-se no sopé dos montes, donde regressava treteiro, decidido a pilhagem e ao combate. Oferecendo-lhe a bacia do Rio Doce a preciosa caça e o farto pescado, mereceu ela sua preferência.

Guandu e Natividade, pontos obrigatórios nas comunicações entre as duas coIônias florescentes, foram providos de forças armadas, protetoras dos transeuntes e dos futuros colonizadores, contra o aborigene. Para conseguí-lo, criaram-se os "quartéis" e foram instalados o de "Porto do Souza" (uma legua abaixo da foz do Guandu), o de "Lorena" (na Barra da Natividade) e o “Cuieté”, no lugarejo, acima da Barra do Rio Manhuaçu. Instalou-os Silva Pontes, pessoalmente, em 1800.

Ataque de índios


Foto de 1903, grupo de índios botocudos - Foto Reprodução


O “Quartel do Porto do Souza” já em 30 de Setembro de 1813 sofrera um dos mais sérios ataques dos aborigenes. Quase o destruíram. E não foi o único, de modo que, meio século decorrido de sua instalação, não pudera abrigar 20 praças, das 50 vindas da "Corte" para guarnecerem o Rio Doce. Nesse estágio cruciante de insegurança a sobrevivência dos civilizados, fracassaram todas as tentativas govemamentais de iniciar na Barra do Guandu a colonização da região, inclusive a expedição de 1860, com Manoel das Chagas, que não teve o apoio das forças antes ali sediadas, por se terem estas dispersado.

Essas ocorrências nos levam a acreditar nos colonizadores fluminenses quando contavam que, visitando o antigo "quartel" pela primeira vez, se viram à frente das minas de antigas construções, e muita capoeira ao redor delas. A beira rio encontraram ingazeiros feridos em suas cascas pelas correntes das canoas procedentes de Linhares e, ainda, rastros, acentuadamente recentes, das onças vadias a vorazes, as mesmas a que eles, futuramente, ofereceriam sério combate.

Aldeamento do Mutum

Menos desumano, e contrariando a antiga e cruel política de destruição dos nossos selvagens, o Governo presidido por D. Pedro II criou um posto de catequese e o situou na foz do Rio Mutum Preto, em terras, hoje, do nosso Município. Data de 1859 e era conhecido como “Aldeamento do Mutum”. Abrigava os aborigenes dos pequenos vales de um ou outro lados da "Serra dos Aimorés".

Mas acontece que em pouco tempo o atendimento a esse “Aldeamento” se tomou muito precário. Através da imprensa da Capital e dos relatórios de seus próprios diretores sempre veio a público sua lúgubre vida: falta de alimentos, vestuário, ferramentas, e a insegurança contra os ataques dos índios não aldeados. De um "Relatório" de 1882, destacamos o seguinte:

“... 8 de junho do ano p. passado 76 botocudos invadiram o Aldeamento...”

“... só se retiraram depois de receberem alimentos...”

“...é satisfeitas outras exigencias... ...voltaram no dia 27 e então causaram grandes prejuízos, travando combate com os indios aldeados, do qual resultou cinco mortos a alguns ferimentos...".

“Pedindo reforços”- acrescenta - o Governo aumentou “para mais de cinco o número de guardas".

Passaram as autoridades a se preocupar corn aquele serviço de catequese. O Governador Antônio Joaquim Rodrigues (1885 a 1887), pressionado pelas notícias não alviçareiras que lhe chegavam do Rio Doce (no passado, tudo por aqui era conhecido simplesmente como “o Rio Doce”, fosse cá em cima ou mais em baixo), nomeou uma comissão de guanduenses para: "estudar as suas necessidades a propor os meios de fazer prosperar aquele estabelecimento... "

A "Comissão", composta de José Teodoro de Andrade, fluminense fundador de Itaguaçu, e dos guanduenses Francisco V. Milagres Junior e Francisco Ferreira Junior, opinou pela extinção do “aldeamento”, e propos a: "criação de uma colonia agrícola no mesmo lugar". As autoridades decidiram contrariamente porque, acreditavam: "era preciso, sim, reparar engenho, moinho e casa".

Feitos ou não os reparos, o certo é que em 1888 - cinco anos depois - a Princesa Carlota, testemunha insuspeita do que viu no estabelecimento catequista, disse: "Aquela tentativa de civilização dos índios, criada pelo Governo em 1859, deveria ter um Diretor, um Missionário, um Intérprete e alguns soldados".

"Isso, do Decreto, porque a realidade era outra. Faltava ali tudo". (Levy Rocha, obra citada.)

Assistência Religiosa

Quando Carvalho Milagres voltou a Cantagalo, em 1872, pela 3a. ou 4a. vez, com o propósito de trazer para o Guandu sua família, acalmou a esposa e as duas filhas mocinhas com a nova de promissores melhoramentos na zona e, inclusive, assistência religiosa prestada pelos Frades Bento de Bubbio a Miguel do Amor Divino, assistentes religiosos dos índios da região. E a certeza de encontrarem boas culturas e acomodações condígnas para todos.

Mais tarde, após a visita da Princesa Carlota, de quern renovaremos alusões mais adiante, os silvicolas do "Posto", mais uma vez se rebelaram, por pretender a administração distribuir alimentos aos nativos não aldeados, cujos sinais de presença cada vez mais perto, se tomaram uma constante. Os "aldeados" não se conformaram com as alegações transmitidas pelo interprete Daniel Vasconcelos, de que era finalidade primordial do estabelecimento atrair aqueles irmãos arredios à comunidade e civilização. Enciumados por aquilo que consideravam seu, fosse ou não fruto de seu trabalho, seduziram o interprete Vasconcelos a um passeio distante das instalações e o flecharam mortalmente.

Dai em diante, tornaram-se inacessíveis. Tementes, por não os terem controlado, os frades e os funcionários abandonaram o estabelecimento, e o "Serviço de Catequese" deixou de existir. Os rebelados retornaram à salvo, só reaparecendo mais tarde, lá por 1903, e furtivamente. Aos poucos, no entanto, se familiarizaram com a maldosa civilização a se perderam. Há altualmente raríssimos sinais de sua raça.

As terras do vale do Mutum Preto foram cedidas a uma sociedade colonizadora, daquelas que exploram as matas a não implantam nada. Um ato do Presidente Marcondes Alves de Souza fez retomar a àrea ao domínio público e, de uns a outros proprietários, uma boa parte pertenceu ao guanduense Odilon N. Milagres. O vale do Mutum foi colonizado e ainda é florescente.

Monsenhor Alonso Leite


Padre Alonso
- Foto Reprodução

O nome dedicado ao Palácio do Poder Legislativo da cidade é uma homenagem a um grande cidadão guanduense: Alonso Benício Leite, mais conhecido como Padre Alonso.

Cearense, nasceu em Quitaiuis, distrito de Lavras da Mangabeira, em 15 de fevereiro de 1915. Filho de José Felipe Benício e Antonina Leite de Oliveira, ainda pequeno ajudava a seus pais no trabalho do cultivo da terra sofrendo com as secas nordestinas.

Desde criança demonstrava interesse pelas coisas da Igreja e desejava estudar para ser padre. Foi para o Rio de Janeiro com o seu primo que era monge beneditino, onde fez os primeiros anos, seguindo depois para Manhumirim (Minas Gerais) com o Padre Julio Maria, fundador dos Sacramentinos de Nossa Senhora. Concluiu o curso de Teologia no Seminário de Mariana, sendo ordenado presbítero por Dom Luiz Scortegagna, na Catedral Metropolitana de Vitória em 21 de dezembro de 1941. Celebrou a 1ª missa na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na Serra (ES).

Seus primeiros anos de ministério foram exercidos na cidade de Alegre e Colatina (ES). Em 1º de abril de 1944 chega a Baixo Guandu para assumir como Pároco a Paróquia de São Pedro em substituição ao Padre Aristides, 1º Pároco que iniciou a construção da Matriz. Sua primeira preocupação foi então dar continuidade às obras.

Começou seu trabalho pastoral visitando as famílias, sobretudo as mais necessitadas. Teve atenção especial para com as crianças e jovens. Pensou logo em escolas para que pudessem estudar. Percebeu também que seria necessário acolher os mais necessitados.

Em 1950, fundou a escola paroquial, dedicada ao ensino primário e admissão ao ginásio. Em 1952, foi ampliada e transformada no Ginásio Brasil, englobando o ensino ginasial, com Contabilidade e Magistério.

Organizou vários movimentos de leigos como a Liga Católica, Apostolado da Oração, Congregação Mariana, Filhas de Maria, Vicentinos e, para as crianças, a Cruzada Eucarística.

Em 1956 sua preocupação se volta para o trabalhador, fundando o Círculo Operário, época em que os Sindicatos tinham pouca expressão. O Círculo Operário difundia a doutrina social cristã e apoiava os interesses do trabalhador.

Preocupado com a saúde do povo, teve participação fundamental na construção do Hospital Estadual e no Asilo de Amparo à Velhice.

Querendo ir sempre ao encontro do povo, fez surgir novas capelas pelo Município afora e logo pensava na Escola. Era ele em 1944 vivenciando a Campanha da Fraternidade que se realizou em 1998. “Fraternidade e Educação a serviço da vida e da esperança”. Em 26 de setembro de 1991, Mons. Alonso, que tanto soube acolher aqui na terra, foi acolhido no céu pelo Pai.

Fundadores e Colonizadores

Major José Vieira de Carvalho e seu filho Francisco Vieira de Carvalho Milagres - Foto Reprodução

José Vieira de Carvalho, o "Major" (como era conhecido), fazendeiro de Cantagalo (RJ), ao corrente das possibilidades do Rio Doce, através das diversas tentativas governamentais de colonizar este rico vale, e necessitando de terras novas onde aplicar sua atividades, empreendeu em 1866 a primeira viagem ao Espírito Santo. De Cantagalo rumou para Caratinga (MG), acompanhado do filho Francisco Vieira de Carvalho Milagres, e daí a St. Antônio do Manhuaçu, a fim de descerem, beirando o Rio Manhuaçu, ate Natividade, no Rio Doce. Esse itinerário fora o seguido na época, pela rudimentar "picada", de 1857/1858, pelo fazendeiro "Tenente" Francisco Ferreira da Silva, Lopes Jacques e outros, a mando do governo de Minas Gerais, e cuja finalidade era a de criar facilidades na entrada de sal a outros gêneros vindos de Vitória.

De Natividade, o "Major" e o filho Francisco margearam o Doce cerca de três léguas. Chegaram ao antigo “Quartel”, que encontraram abandonado, em meio a capoeira. Á sua frente, a "Pedra do Souza", na outra margem do rio.

LOCAL ESCOLHIDO: Retomando pouco menos de 1légua e meia, os desbravadores descansaram junto das águas do Guandu a decidiram ficar ali. O único morador que Ihes apareceu, dizia-se "João llhéu". Solitário pescador, que pos pai e filho a par de que, do "Porto do Souza" para baixo, o rio Doce era manso, todo navegável.

Nunca ouvimos falar de como se constituiu esta primeira caravana, mas tudo faz crer na presença de dois escravos para reabrir a estrada, cuidar das montarias a preparar as refeições. Também, nenhuma noticia quanto às sucessivas idas a Cantagalo, na tomada de providências, mas já em 1870 floresciam pequenas culturas de cereais a cana de açúcar. Entrementes, ambos se internaram pela floresta, em direção as terras altas, frescas a próprias para a cultura do café. Passaram-se do córrego Desengano ao Lage, acompanhando a descida das águas; procuraram o Santa Joana e o subiram até Sobreiro - estes dois, os mesmos onde, mais tarde, se localizariam outros fluminenses, filhos, cunhados a genros dos colonizadores.

Estavam fundadas as colônias de Barra do Guandu a Sobreiro de Sta. Joana. E tanto isso é verdade que, quando mais tarde os colonos desgarrados de Sta. Teresa alcançaram o Sta. Joana, e ultrapassaram Figueira (Itarana), se defrontaram com os casarões de amplas varandas a os terreiros de seca de café à moda fluminense, dos quais já existiam similares em "Portela", "Palmeira", "Boa Sorte" e "Sossego", propriedades dos fazendeiros vindos do Estado do Rio.

Crescimento do núcleo

O núcleo estabelecido no Guandu crescia lentamente pela multiplicação dos próprios colonizadores e daqueles que a seu serviço iam ficando nas imediações. De Caratinga, Alto Manhuaçu a adjacências, os mineiros se estendiam Rio José Pedro e Manhuaçu abaixo. Simultaneamente, os italianos de Sta. Teresa demandavam o "Limoeiro" a cabeceiras do "Sta. Joana", onde já se encontravam os fluminenses José Teodoro de Andrade, em Boa Família, e José Vieira de Carvalho Junior, seu pai e seu genro Fortunato, em "Portela", "Palmeira", "Sossego" e "Laranjal".

Resulta dessa caminhada acreditarmos ser ponto pacífico que a colonização deste Oeste capixaba se fez do SUDESTE de Minas Gerais a SUL do Espírito Santo para o Rio Doce, E não por este acima, de vez que a insalubridade da zona linharense, povoada de indígenas a salteada de lagoas, a tolhia.

CARVALHO MILAGRES atraíoa gente para o seu Guandu, onde iam chegando José Antônio Teixeira, agricultor; - Antônio Guilherme, oleiro, estabelecido onde há hoje a "Cerâmica Guandu Ltda; - os Vasconcelos, vindos de Cuieté, mistos de Comerciantes e interpretes de índios; - Antônio Canuto de Lefles, professor particular; o musicista “Veadinho” (Antônio Rodrigues Sylas), sucessor de Antônio Correia de Amorim, organizador da primeira filarmônica fundada nesta lonjura por Francisco Ferreira da S. Junior, a da qual faziam o conjunto os próprios filhos deste último.

O permanente crescimento do trânsito, pelo Guandu, dos mineiros a procura de abastecimento em Linhares, via fluvial; em Cachoeiro de Sta. Leopoldina a Vitória pela Estrada de Sta. Teresa, tomava-se cansativo ao agricultor Carvalho Milagres desdobrar-se em comerciante, embora contasse com a ajuda dos filhos Francisco Junior e José. Por isso, admitiu dois auxiliares: Francisco Ferreira da Silva Junior (nascido em Jequiri e filho do construtor da "picada" beirando o Manhuaçu), e Henrique de Paula Mascarenhas, também fluminense. O primeiro o assistia na administração das lavouras. Mascarenhas no comercio. Ambos, em 1875, contraíram núpcias com filhas do patrão, a de cada um dos consórcios nasceram 14 netos do velho Milagres: - os Milagres Ferreira a os Milagres Mascarenhas. Ainda hoje são conhecidos por aí a fora os Nunes Milagres a os Nunes Ferreira (dos Nunes do Amaral, de Sta- Julia); os Pedrinha Ferreira a os Vieira Ferreira (Pedrinha de Linhares e Vieira do Riacho); os Silva Ferreira (Silva de Guarapari); os Freitas Ferreira (Freitas de São João Nepomuceno MG); Coutinho Ferreira, Schwambach Ferreira, Ferreira de Menezes, Ferreira Teles, Lopes Ferreira. E ainda os Milagres Mascarenhas com Sampaio, Barbosa de Menezes, Guimarães e muitos outros.

O "Major" não permaneceu no Guandu. Em sobreiro de Santa Joana adquiriu diversas sesmarias para si e o filho José Vieira de Carvalho Junior e prepararam a Fazenda da Portela, para este, cujo genro, Fortunato B. de Menezes, ali chegou com a família nos primeiros dias de Março de 1879 (viagem inaugural da navegado de vapores no Rio Doce); - o filho Francisco ficou no Guandu e fundou "Serra"; - Manoel Ferreira Leal, cunhado e genro de Francisco, fixou-se no "Ribeirão da Lage”, nas terras medidas em 1872; - Manoel V. de Carvalho Milagres desbravou o Córrego Consolação, afluente do Guandu.

Acompanhando o "Major", seguiu para o Santa Joana José Teodoro de Andrade (do Estado do Rio), que comprou a José V. de Carvalho Junior as terras de "Boa Sorte" e fundou à beira do referido rio, Boa Família, a atual Itaguaçu. José Teodoro foi sogro de Augusto Coelho da Silva, Dório Barbosa a Antônio Martinho Barbosa, radicados na última localidade acima.

Em 1877, Carvalho Milagres recebia o "Título Definitivo" da sesmaria "Porto do Souza", medida em 1876 pelo Eng. Gabriel Emflio da Costa, cujos direitos adquiriu do Marques de Baependi, ou de um Nogueira da Gama, parente próximo do nobre ministro. As terras mediram 11.385.000 m2.

Passagem de mercadorias

Crescendo a passagem pelo Guandu de mercadores oriundas de Joanesia, Guanhaes, St. Maria de São Felix e Capelinha das Graças, (via fluvial até o "Porto da Natividade", com destino ao "Porto do Souza"); - e por terra, as vindos de Caratinga e zona do Alto Manhuaçu, Carvalho Milagres sentia-se na obrigação de atende-los. O Guandu era posto intermediário de grande significado. Forçoso fora substituir a firma individual, de Guandu, por uma com o filho Francisco Junior, primeiramente estabelecida em "Porto do Souza" e, mais tarde, transferida para "Porto Tatu". Mesmo antes de constituir Carvalho Milagres & Genro, já singrava o Atlântico, em viagens da Barra do Rio Doce a Vitória a fortuitamente ao Rio de Janeiro, o iate "Verdade de Dios", de sua propriedade, a serviço próprio e no das firmas comerciais em que tomara parte.

Posterior a Carvalho Milagres e o genro Mascarenhas, sediada já em "Porto Mascarenhas", vem a quarta firma comercial na órbita dos cantagalenses. Agora, o Sr. Mascarenhas admite o português Jose Viana de Brito, seu antigo auxiliar que viera de Vassouras (R.J.) em Dezembro de 1889. Era assim, substituído o velho Milagres.

Com o impulso recebido as navegação a vapor e da intensificação agrícola da zona, o “Porto Mascarenhas” se converteu num grande entreposto de comercialização da zona.

O Surgimento do Distrito

Praça principal de Baixo Guandu nos anos 20


Elevada a povoação de Baixo Guandu a sede distrital, foram nomeados seu primeiro juiz, Francisco Ferreira da Silva Junior, e escrevente, Francisco Militão da Silveira. A este sucedeu Fabriciano Teixeira de Almeida, conservado mais tarde no cargo de Oficial do Registro Civil, que ocupou até seu falecimento.

No mais velho arquivo do antigo Distrito de Baixo Guandu (hoje no cartório do Distrito de km.14 do Mutum) podem-se ver os livros "N° 1 de CASAMENTOS" e "N° 1 de NASCIMENTOS", ambos autenticados pelo supra dito juiz, nas funções então existentes de Juiz de Paz e Juiz Territorial, respectivamente. Os termos de abertura que nos livros se lê estão datados de "Linhares, 20 de Fevereiro de 1891", quando da posse dos respectivos serventuários, o que nos leva a corrigir para esse mês e não Março a informação de "Histórico" - (ed. única de 1958).

Os referidos livros acompanharam todo o acervo do cartório para a povoação de Vila Mascarenhas, transformada em sede distrital de toda a região (1904). Passando o tempo, crescendo a população e elevado Baixo Guandu a município (1935), ocorreu a subdivisão do respectivo território em cinco distritos, e para tanto, a transferência da sede de Mascarenhas para o povoado de Km.14 do Mutum, onde fomos encontrar os mais antigos registros do passado guanduense. Francisco Ferreira Júnior também exerceu o cargo de Agente do Correio, posteriormente transferido a Fabriciano Teixeira de Almeida.

Primeiros Distritos do Rio Doce

No curso capixaba do rio houve três distritos, que se tornaram municípios: Linhares, Colatina e Baixo Guandu. Linhares, desde 28/08/1818, ainda parte do Município e Comarca de Santa Cruz, e que só galgou a posição de Municipio em 1833, a 2 ou 22 de Abril (conforme se interprete a validade do ato ou do fato). Seguiu-se-lhe o Guandu, que foi distrito a partir de 1891. Já Colatina, o mais novo dos três, o foi a partir de 09/12/1899, e adveio do antigo Arraial da Barra do Santa Maria do Rio Doce.

As datas acima mostram a ordem em que cada zona se povoou e teve as condições legais para se tomar distrito.

É evidente que nos valeremos da oportunidade para dizer que Linhares e Guandu, no isolamento em que se achavam na primeira década deste Século, carregaram cruzes idênticas: a 22 de FEVEREIRO de 1904, foram arrebatados de Linhares, e levados para Colatina, os arquivos e pertences da Câmara Municipal, na época a detentora dos dois poderes municipais. O erro, tolerado pelo Presidente Moniz Freire, só mais tarde foi legalizado. Quanto ao Guandu, perdeu ele a 14 de SETEMBRO daquele ano a sede distrital, transferida para a então projetada Vila Mascarenhas, que assim se transformou em distrito.

Da identidade dos dois procedimentos sobressai a convicção de que tudo fora bem premeditado. Os atos de cruel politicagem causaram menos dano pessoal àqueles a quem se desejou magoar (os dirigentes políticos locais), ferindo sobremodo à coletividade.

Correios e Estafetas

Antes da Estrada de Ferro, as malas postais seguiam para Vitória, via Boa Família (Itaguaçu), Figueira de Santa Joana (Itarana), Santa Tereza, Santa Leopoldina e o Queimado (não existe mais), até alcançarem a Capital, donde, retornando, cada um em seu trecho, os portadores traziam correspondência e valores. A carga postal destinada a Afonso Cláudio vinha por esse caminho, e de Boa Família seguia ao destino por outro cavaleiro.

O "estafeta" (e chegamos a conhecer Virgínio Teixeira de Almeida e Guilhermino Leonardo dos Santos) recebia $20.000 (vinte mil reis) mensalmente para si e sua montaria, levando em sacos de boa lona (verde claro com listras amarelas), um de cada lado, à moda de alforges, a escassa a princípio e depois crescente correspondência.

Inaugurada a navegação a vapor em 1879, a situação melhorou, pela razão de também virem algumas malas postais por via marítima, deixadas em Regência, e daí a "Porto Final" e Guandu.

Primeiro posto fiscal

Segundo o jornal "Estado do Espírito Santo de 13/07/1894;" o Tenente Coronel Augusto Calmon viajou para o Guandu a fim de acertar a instalação de um "Posto Fiscal" que foi criado em 10 do mês seguinte (diz o mesmo órgão). O "Posto" ficaria subordinado ao de Barra do Rio Doce, e nós, na juventude, conhecemos o encarregado, Sr. João do Pin Calmon, o ancião veterano da Guerra do Paraguai.

Coletoria Estadual

Esta repartição arrecadadora de tributos estaduais foi instalada no Guandu em 1916. Inaugurou-a o linharense Augusto Rafael de Carvalho. Teve ela, posteriormente, os seguintes encarregados: Sertório Pereira Franco, Honorato Milagres Ferreira, Clemente Passos Martins, Wandevil Melo, Domingos Tiradentes, Sebastião Teixeira da Silva e outros.

Núcleo Colonial "Afonso Pena"

Como que se tivesse havido o desejo de reparar a supressão do distrito de Baixo Guandu, o Presidente Henrique da Silva Coutinho criou a colônia em epígrafe, em 1905, compreendendo esta a área não legitimada do vale do Guandu, até os limites com o Município de Afonso Cláudio e com Minas Gerais. Repartida toda a porção em lotes, estes foram vendidos aos colonos italianos, franceses e espanhóis neles lotados. Foi esta a última leva de italianos deslocada para o Espírito Santo.

O escritório sede da direção do núcleo, em ampla planície na foz do Córrego Cangica, tomou-se um povoado, a que chamaram de Vila Afonso Pena, hoje Ibituba. Muito antes de estar em condições de acolher os futuros ocupantes, foi o núcleo transferido , em 1908, ao Governo Federal. E só em 1910 o "Diário da Manhã" - órgão oficial do Estado - de 26/06/1910, anunciou terem chegado a Vitória 183 imigrantes para a colonização tão anciosamente aguardada.

Acredita-se que o seu reduzido florescimento tenha, resultado de pelo menos três causas: - a má seleção de colonos; - a irregularidade pluviométrica da região, e os rigorosos dias soalheiros, que o europeu nem sempre suporta.

O abandono de algumas glebas pelos imigrantes, prova-o; no entanto, elas iam sendo pouco a pouco cultivadas por outras famílias, que as adquiriram dos primitivos donos ou da União, pagando-as, nesse caso também, em prestações. De qualquer modo, o Núcleo Afonso Pena constituiu a pedra angular do crescimento da zona. Emancipado 41 anos depois, o ex-núcleo colonial retomou ao domínio do Estado.

A Estrada de Ferro Vitória/Minas

A Ponte de Ferro em Baixo Guandu na época da Maria Fumaça - Foto Reprodução

Em 1907, passam, diretamente para Natividade (Aimorés), os vagões de carga e carros de passageiros, deixando para trás o Guandu. Somente em 8 de abril de 1908 os guanduenses obtiveram um simples Ponto de Parada, sujeito às tarifas da estação anterior.

O fato aconteceu porque o povoado Guandu não era pelo menos sede de distrito. A estação, propriamente dita, com todos os requisitos, foi concluída e inaugurada em 1910.

A Emancipação Política

Segundo o livro do historiador Manoel Milagres Ferreira (já falecido) o distrito de Baixo Guandu foi instalado em 1891 e o primeiro serventuário da Justiça local foi Francisco Militão da Silveira. Nesta época, era grande a navegação pelo rio Doce, uma vez que não existiam estradas. Já existiam núcleos populacionais na região de Baixo Guandu, Aimorés, Mascarenhas, Lage e Figueira (Santa Joana).

Em 1904, a sede distrital foi transferida para a vila de Mascarenhas - especialmente em função do excelente porto ali existente - mas em 1915 retornou a Baixo Guandu. Em 1907, chegaram a vila de Baixo Guandu os trilhos da estrada de ferro Vitória a Minas, iniciando um novo processo no desenvolvimento local.

A partir de 1915, começaram os movimentos separatistas em Baixo Guandu, que pertencia a Colatina. Em 1930 este movimento se intensificou até que, em 1935, Baixo Guandu consegue finalmente sua emançipação político-administrativa. No processo de luta pela emancipação, um grande grupo de guanduenses se destacou, cujos nomes são:

• Álvaro Milagres Ferreira

• Duarte Quedevez

• Odilon Nunes Milagres

• Felipe Félix

• Antonio Benedito Coelho

• José Coelho da Silva

• Antônio de Paiva Sampaio

• Heitor Cabral

• Pacífico Alves Pereira

• Emílio Holz

• Manoel Milagres Ferreira

• Ayrton Lisboa Paca

• Mário Ferreira Teles

• Álvaro Nunes Ferreira

• Fernando Sampaio

• Adelar Nunes Milagres

• Pio Pedrinha Ferreira

• Euripedes Pedrinha Ferreira

• Ivani Mendes

Obs.: Todos os membros desta comissão de emancipação são falecidos. Os 11 primeiros lutaram mais diretamente pela emancipação, enquanto os restantes pertenciam a uma nova geração que também queria Baixo Guandu livre.

Na Câmara Municipal existe uma placa também prestando homenagem aqueles que lutaram pela emancipação do município.

Pioneiro em Água Fluoretada

Quando, logo depois de 1940, o Serviço Especial de Saúde Pública iniciou instalações para o tratamento de água potável no Espírito Santo, a administração guanduense de então se movimentou no sentido de o Guandu obter esse precioso benefício. De modo que, chegando-nos a cada dia notícias de alguma nova obra congênere em nosso Estado, ou em zonas próximas, do vale do Rio Doce, apressamo-nos em procurar o respectivo órgão dirigente em Vitória. Isso se deu em 1945. Durante o contato havido, foi-nos afirmado que Baixo Guandu também estava em cogitação, porém, dentro da ordem de prioridade reservada às localidades menos salubres, ou mais carentes que nossa terra.

A seguir, o guanduense viu o levantamento da planta cadastral da cidade e, posteriormente, ainda outros sinais evidentes de que se aproximava o início das obras tão desejadas.

Os tempos correram e a espera durou até 1953, quando, a 10 de Abril, comemorando os 18 anos de Emancipação, assistiu Baixo Guandu em peso à inauguração do almejado Serviço de Tratamento da água a ser distribuída à população citadina.

Água Fluoretada

Coincidindo que, à época, o SESP (sigla da Fundação hoje não existente no País) já acompanhava com vivo interesse o resultado dos estudos que se faziam nos Estados Unidos da América do Norte acerca do combate à CÁRIE DENTAL, pela adição do fluorsilicato de sódio à água tratada para uso das populações, e desejava ampliar no Brasil o sistema vitorioso naquele País amigo, coube ao Guandu a vez de vir a ser o centro dos estudos, e isso porque:

“Baixo Guandu possuia um requisito muito importante para a implantação da fluoretação da água: dispunha de um serviço de abastecimento que satisfazia aos padrões estabelecidos pela Engenharia-Sanitária (Exposião em Congresso pelo Dentista Sanitarista, Aprígio da Silva Freire).

Daí por que, em Setembro de 1953, segundo fora amplamente comentado, instalara-se a aparelhagem especial em nossa Estação de Tratamento. Partiram daí os estudos e experiências, de cujos resultados dependeria o uso, por todo o Brasil, do anunciado método preventivo da cárie dental.

Preliminarmente fora levantada a média de incidência da cárie dental em escolares de 6 a 14 anos, nascidos e criados na cidade. Decorridos 10 anos, ou seja, justamente em 1963, foi testado o método, por meio de nova pesquisa de idêntica natureza, e o satisfatório resultado apresentou uma queda de 64% (sessenta e quatro por cento) na média da incidência de cáries na mocidade guanduense. Comprovada cientificamente a eficácia da FLUORETAÇÃO da água, não só isso contribuiu para divulgar o nome do lugarejo "Baixo Guandu", como, e isso era esperado, chegou a vez de outras muitas instalações congêneres no Estado e em todo o País.

Particularmente no Espírito Santo, o melhoramento já se estende a Colatina, Linhares, Alegre, Cachoeiro do ltapemirim, Vila do Itapemirim, Marataizes e São José do Calçado, para só citar esses poucos nomes.

No Estado do Rio Grande do Sul, sabemos que pelo menos 60 cidades estão providas do melhoramento, que teve início na "Usina Piloto" montada em Baixo Guandu em 1953: a orientadora da entidade nacional incumbida do incalculável melhoramento no Brasil.

É justo e oportuno que inscrevamos aqui um fato pouco conhecido, usando, aliás, as palavras do "Dentista-Sanitarista" já citado atrás:

"O sal utilizado na fluoretação da água da cidade de Baixo Guandu é o Morsilicato de sódio. Todavia, existe um problema quanto à utilização deste sal, pois até hoje não há possibilidade de sua fabricação em nosso país e, devido às dificuldades de importação, temos a consequente elevação do custo.

Procurando resolver este problema com base em recursos nacionais, a Fundação SESP deu início a um projeto na cidade de Macaé, no Estado do Rio, empregando a fuorita, uma vez que possuimos grandes reservas desta em nosso país.

O projeto Macaé satisfez plenamente à expectativa e, como estudo básico, forneceu dados valiosos, comprovando a viabilidade do método sob os pontos de vista de segurança, eficiência e, sobretudo, de economia. A utilização da fuorita torna o método muito mais barato".

Os "Serviços Autônomos de Água e Esgotos" de Baixo Guandu constituem uma Autarquia Municipal, em Convênio com o "SESP". Funcionam dentro de rígidas diretrizes e suas redes de esgotos e de águas vêm sendo estendidas por toda a periferia da cidade e, inclusive, atravessaram o rio para a margem direita, onde crescem outros bairros com características animadoras.

Primeira Hidrelétrica

Antigas instalações da usina Von Luztow
- Foto Reprodução

Construída por Belarmino Pinto, em 1926, abasteceu à vila de Baixo Guandu, por muitos anos, para o que fora ampliada duas vezes. Crescendo a população e, porisso, a demanda, houve o propósito de, através da criação de uma Sociedade Anônima de Capital Aberto, se reunirem recursos suficientes que possibilitassem o total aproveitamento da capacidade do rio encachoeirado que banha o centro da cidadezinha. E acontecendo o que se previra, por atos de 11 de Abril e 11 de Junho de 1953, constituía-se a “Empresa Hidrelétrica LUTZOW S.A.”, com o Capital de Cr$ 5.000.000,00 representado por cinco mil Ações Nominativas de Cr$ 1.000,00 cada uma, do qual o Estado, pelo Governador Santos Neves, devidamente autorizado pela Lei n° 629, de 5 de Junho do ano acima, subscreveu e integralizou logo, 51%(cinquenta e um por cento do capital).

A nova sociedade incorporou o acervo de sua antecessora, "Hidrelétrica Fritz V. Lutzow", no valor de Cr$1.442.000,00 - concluiu os estudos e projetos e deu início à construção da barragem e primeira fase da adutora.

Atingida a Empresa pelos efeitos da tremenda inflação em que o País estivera afundado, sentiu que paralisaria as obras. Na altura de 1956, porém, a clarividência dos dirigentes da Cia Vale do Rio Doce, diante do adiantamento dos trabalhos já executados pela direção da Lutzow, valeu-se dos meios especiais destinados ao desenvolvimento do vale a que serve, e julgando necessária e inadiável a continuação do empreendimento guanduense, promoveu o aumento do capital social da Empresa Hidrelétrica Lutzow S.A. para o dobro, e subscreveu inteiramente esse complemento, tornando-se a maior acionista e a mentora de tudo que ali se fazia sob a direção metódica de Heraldo Nunes Ferreira e Fritz Egon v. Lutzow, este último, o batalhador incansável da energia elétrica em Baixo Guandu, e cujo nome, mui justamente, foi ligado ao empreendimento local - que acabou sendo sucedido pela usina proveniente das águas captadas ao Rio Doce.

Com os novos recursos e o empenho dos diretores, concluíram-se as obras em 1959, e os dois geradores de 818 quilowates cada um, começaram a abastecer a cidade, as localidades de Mascarenhas e Itapina, no Espírito Santo, e Resplendor, em Minas Gerais.

No entanto, advindo recentemente o fechamento das comportas da "Hidrelétrica Mascarenhas", ao ser esta concluída em 1974, (15 Km a jusante da cidade de Baixo Guandu e à altura de Vila Mascarenhas), estancou as águas do Doce até bem próximo à cidade de Aimorés (MG), 18 Km acima da represa, e inundou parcialmente as instalaçóes da "Empresa Lutzow S.A.". As conhecidas e antes tormentosas corredeiras, aquelas "Escadinhas” tão familiares dos estudantes capixabas e mineiros, desde os bancos escolares, deixaram de existir.

Cine Alba


O Cine Alba foi um marco cultural da cidade durante três décadas
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Construído no início dos anos 50 pelas famílias Holz e Kunkel, o cine Alba foi um marco na história de Baixo Guandu. O cinema foi inaugurado em 1954 e era considerado na época a melhor casa do gênero no Espírito Santo: 800 cadeiras estofadas, sistema de som e iluminação impecáveis e ventilação natural do rio Guandu.

O Cine Alba não servia apenas para as grandes atrações cinematográficas, que aqui chegavam atualizadíssimas através dos trens da Cia. Vale do Rio Doce. No palco do cinema grandes cantores nacionais se apresentaram, em shows que marcaram época em toda a região.

Nos anos 60 e 70, a criançada fazia a festa no cinema, com matinês sempre aos domingos às 14 horas, além de duas sessões que iniciavam às 18 e 20 horas. O jardim era movimentadíssimo especialmente aos domingos, com muita animação e entretenimento, especialmente para a juventude.

Ainda aos domingos, eram promovidos antes das sessões da tarde um festival de calouros, quando pequenos cantores de Baixo Guandu, Aimorés e região procuravam mostrar seu talento. Nos anos 90, no entanto, o cinema acabou definitivamente desativado, para tristeza de todos aqueles que durante mais de 30 anos usurfruiram deste importante meio cultural de Baixo Guandu.

O Canaâ Social Clube

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Inaugurado em 10 de abril de 1953 em Baixo Guandu como um grande contecimento social que reuniu inclusive o governador do Estado, Jones dos Santos Neves, o Canaã marcou época na cidade durante décadas e agora é administrado pelo clube da melhor idade.

O jornal “A Gazeta” de 1953 retrata em uma página inteira o que significou a festa de inauguração do Canaã. Na inauguração, o Canaã chamava-se na realidade “Litero Recreativo Guanduense” e reuniu, segundo o jornal, pessoas importantes da sociedade local e capixaba. Entre os presentes, o governador Jones dos Santos Neves, o deputado Carlyle Passos, secretários de Estado, autoridades militares e muitos casais importantes da sociedade guanduense.

Como o governador Jones dos Santos Neves, na época, foi um dos grandes incentivadores da construção do clube, na fachada do Canaã foi inscrita a frase “Inspiração do governador Jones dos Santos Neves”. Posteriormente, o então chamado clube litero recreativo mudou o nome para Canaã Social Clube e ali eram realizados os grandes acontecimentos sociais de Baixo Guandu. Antes frequentado apenas pela elite da sociedade, hoje o Canaã é um clube mais aberto, tanto que é administrado pelo clube da Melhor Idade, onde é perfeita a integração entre toda a sociedade.

Durante décadas, o Canaã marcou época em Baixo Guandu e entre os anos 80 e 90 ficou bastante esquecido. Com o esforço do clube da Melhor Idade e auxilio da administração, no entanto, no ano 2000 o clube recebeu uma reforma completa, mantendo-se as características originais. Um detalhe interessante: o lustre do salão principal de dança permanece em toda a sua originalidade, o mesmo acontecendo com a estrutura arquitetônica do prédio, que serviu de palco para várias noites de reveillon e de carnaval guanduense, durante pelo menos 30 anos.


Av. Carlos de Medeiros vista do alto da matriz de S. Pedro, no final da década de 40 - Foto Reprodução


A madeira era abuntante em terras guanduenses 1930 - Foto Reprodução


Inauguração do Cine Alba - Foto Reprodução


Usina de Energia fundada por Von Lutzow, nos anos 30 - Foto Reprodução


Praça Getúlio Vargas - Foto Reprodução


Lavador e Oficina da Fick Diesel - Foto Reprodução


Porto Mascarenhas
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Antiga estação do trem - Foto Reprodução


Usina de Força e Luz de Baixo Guandú em 1928 - Foto Reprodução



Maria Fumaça na ponte de ferro - Foto Reprodução


Av. Carlos Medeiros - ponto de táxi em frente ao Bar Central (Bandeirantes e Banco Brasil) - Foto Reprodução


Enchente de 1979 -
Ponte Dr. Jones Santos Neves entre Aimorés/MG e Baixo Guandu/ES - Foto Reprodução

Os dados contidos nestas matérias foram extraidos: Livro “História e Flagrantes de Baixo Guandu”, do escritor Manoel Milagres Ferreira, que é o nosso maior historiador; Jornal "Folha Guanduense"; Informativo da Câmara Muncipal "Tribuna Livre"; André Shneider; "Projeto do Selo UNICEF 2006"; Fotos: acervo de Rizomar e Pito.
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