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Meio Ambiente com Eduardo Lenke Loss
Postado em: 29/11/2011 às 09h56
TAMANHO DA FONTE A- A+
QUALIDADE DA ÁGUA NA BACIA DO RIO DOCE

Não são novidade os problemas causados pela poluição na Bacia do Rio Doce. O despejo de cargas orgânicas dos esgotos das cidades e indústrias, o carregamento de fertilizantes aplicados na agricultura, juntamente com sedimentos resultantes do processo erosivo do solo, tem provocado a morte lenta do Rio. Por outro lado, a falta de gestão das águas e a ausência de comprometimento político não permitem a adoção de medidas práticas, que sejam eficazes e suficientemente rápidas para sanar os problemas.

É neste contexto que nas últimas semanas, o velho conhecido problema das algas provocou discussões e alertas para toda a sociedade. Escapando do terrorismo que alguns meios de comunicação quiseram impor, o problema existe e é grave. Não porque representa grande perigo para a saúde da população, pois até onde temos conhecimento, esse grande risco não há.  Mas porque confirma a incapacidade das organizações atuais de reverter o quadro ambiental da bacia.

Como reverter? Não é nem rápido e nem simples, porém possível. A adoção de práticas mecânicas e de manejo na agricultura, a implantação de artifícios já previstos na legislação ambiental e a coragem política institucional, aliados a boa vontade pública pode representar a saída.

Como exemplo de práticas mecânicas e de manejo da agricultura, podemos citar: o plantio em curvas de nível; a recuperação de pastagens degradadas; a construção de caixas secas e barragens de contenção de sedimentos; o cascalhamento e manutenção de estradas e carreadores; a adubação e calagem adequadas; o plantio de lavouras respeitando mapas de uso do solo com as devidas recomendações técnicas para cada tipo de sistema de cultivo. Dentre os artifícios previstos na legislação, podemos destacar: a manutenção/implantação da mata ciliar e nas demais áreas consideradas de preservação permanente. Já com relação à boa vontade pública e coragem política institucional, devemos ressaltar a necessidade de tratamento dos esgotos urbanos e industriais.

O que não é feito diretamente pelas companhias de saneamento provavelmente por não haver coragem institucional e política de cobrar pelo serviço e pelas obras e, por outro lado, por faltar boa vontade pública de pagar pelo serviço.
Não basta apenas apelar do problema, sem reconhecer a co-responsabilidade de cada cidadão pela sua resolução.  Não basta esperar por uma solução distante do governo federal ou do estado, por recursos volumosos que muitas vezes são aplicados em obras ineficazes e corruptíveis, ou fiar-se nas discussões desnecessárias como, por exemplo, a cobrança pelo uso da água.

Definitivamente, não. Se o problema é regional, a solução é local.
É nesse contexto que interpelamos que as medidas a serem tomadas devem ser adequadas a cada realidade e características de cada cidade ou propriedade. De qualquer modo, contudo, não podem deixar de serem tomadas.
 

 

 

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