Bem, para começar neste espaço gentilmente cedido pelo Portal Guandu, vamos conversar sobre a prática ambiental utilizando uma perspectiva que insere o meio ambiente em nossa vida diária. Normalmente somos tentados a exclusivamente associar os cuidados com o meio ambiente às práticas como plantio de árvores, proteção dos rios, proteção da Mata Atlântica e da Amazônia, destinação do lixo.
Alerto, pois, neste momento, que todas essas práticas são necessárias e devem ser difundidas, muito embora sejam conceitos generalizados da conservação que não podem ser alcançados senão pela associação de grandes esforços institucionais à prática diária de pequenas ações da sociedade que trataremos aqui. Lembro que falaremos de algumas dessas práticas, porque muitas outras são necessárias, o caminho da preservação e recuperação ambiental é longo, como o próprio discurso é longo e por vezes sinuoso.
A questão do lixo é interessante, porque Reduzir, Reutilizar e Reciclar é necessário. Como exemplo do conceito “Reduzir” e “Reutilizar”, temos a reutilização de garrafas PET, que em nossa cidade (e em muitos outros lugares) viram embalagens de diversos produtos, vassouras, enfeites natalinos e brinquedos. A reutilização faz com que ocorra um prolongamento do ciclo do produto, que começa na indústria e termina do lixão.
Quanto mais rápido ele sai da indústria e retorna ao lixão pode ser vantajoso se, ao ficar no meio do ciclo causar problemas, tal como ficar espalhado pelas ruas. Por outro lado se o ciclo for mais longo, e for aplicada a reutilização durante o chamado “ciclo de vida do produto”, também é uma vantagem. Ao contrário, não é vantagem quando vira enfeite natalino, como exemplo, e depois é destinado aos lixões, naturalmente. Em todos estes casos, por melhor que queiram resolver a vida dos PETs, ‘vantagem não é solução’. E a solução é comprar produtos vendidos em recipientes de vidro que são retornáveis e produzem menor impacto ambiental, aplicando o conceito “Reduzir”. Prático de ser aplicado ao dia-a-dia, não?
O mesmo conceito de “Reduzir”, não pode ser aplicado ao “pé” da letra, no caso do consumo de alimentos, porque não é possível mobilizar a sociedade para comer menos em face da preservação ambiental. Mas pode-se pensar em reduzir o desperdício, reduzir a distância entre a produção e o consumo, substituir produtos de origem animal por produtos de origem vegetal. Em tudo isso contribuindo para reduzir a pressão que a agricultura exerce sobre o meio ambiente. Neste ponto admitindo mais um R à questão que é o “Repensar” o processo de produção e consumo, para avançar na solução da problemática ambiental.
Tantos “R”s, (no início 3 “R”s, e mais tarde, a incorporação de outros) tornaram-se símbolos do movimento de preservação ambiental. Quero acreditar que num futuro próximo trabalhar o meio ambiente seja algo definitivo e não implique voltar no tempo para “Repensar”, “Reduzir”, “Reutilizar”, “Refazer”, ”Recuperar”, “Reflorestar”...