07/12/2017 às 17h46min - Atualizada em 07/12/2017 às 17h46min

Justiça determina prisão preventiva de mecânico que esfaqueou esposa

Max da Silva Almeida, de 34 anos, foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia nesta quinta-feira (7)

Fonte Gazeta Online
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Max da Silva Almeida foi preso após esfaquear a mulher em um ponto de ônibus em Vitória - Foto: Carlos Alberto Silva | GZ

A Justiça converteu a prisão em flagrante do mecânico Max da Silva Almeida, de 34 anos, em prisão preventiva. O acusado foi preso após esfaquear a esposa em um ponto de ônibus na Avenida Marechal Campos, em Vitória, na última terça-feira (5). A decisão é do juiz Gustavo Grillo Ferreira em audiência de custódia, realizada no Centro de Triagem de Viana, nesta quinta-feira (7).

Segundo o magistrado, a mudança é para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal. Ainda de acordo com o juiz, o autuado desferiu golpes de faca em sua companheira que estava no ponto de ônibus. O fato foi testemunhado por um policial civil que efetuou a prisão do acusado, bem como por pessoas que prestaram depoimento sobre o crime.

O juiz ainda destacou que o próprio autuado confessou o crime durante interrogatório na polícia. Além disso, Max já respondeu pelo crime de violência doméstica, inclusive, contra a mesma vítima.

“Demonstrando, assim, no presente momento, que nenhuma outra medida cautelar é suficiente e adequada para impedir a reiteração criminosa, havendo a necessidade de sua segregação para assegurar a ordem pública”, afirmou o magistrado.

O CRIME

A diarista foi esfaqueada pelo marido, o mecânico Max da Silva Almeida, de 34 anos, no fim da manhã de terça-feira (5), em um ponto de ônibus da Avenida Marechal Campos, em Vitória. Ela foi socorrida e levada para um hospital da Capital. Já o agressor foi preso em flagrante.

Segundo testemunhas, o homem chegou no ponto de ônibus em uma moto e começou a discutir com a auxiliar de serviços gerais. Em seguida, tirou uma faca que estava escondida junto ao corpo e começou a atacar a esposa.

Aos gritos e pedindo socorro, a vítima chamou a atenção de um policial que estava em um restaurante próximo ao local em que ela estava sendo esfaqueada. Para afastar o homem da esposa, o policial atirou em uma parede que estava ao lado do acusado e conseguiu detê-lo. 

De acordo com a irmã da vítima, o relacionamento dos dois, que estão juntos há oito anos, é bastante conturbado. Ela detalha que frequentemente eles terminam e voltam e que ele sempre a ameaça dizendo que a mataria se eles não voltassem. Eles têm uma filha, de 4 anos, e a auxiliar de serviços gerais tem uma outra menina, de 11 anos.

DIARISTA DESISTIU DE MEDIDA PROTETIVA

A mulher esfaqueada pelo marido havia desistido de uma medida protetiva contra ele seis dias antes do crime. Segundo os autos, ela compareceu espontaneamente, o que fez a medida ser revogada.

Essa, no entanto, não foi a primeira vez que a vítima desistiu de um processo contra o agressor, o mecânico Max da Silva Almeida, de 34 anos. Em 2011, uma primeira medida protetiva já havia sido revogada após ela afirmar que havia reatado com o ex-marido. Em 2013, ela novamente desistiu de representar contra Max, o que suspendeu uma segunda medida protetiva.

Mesmo assim, no sistema do Tribunal de Justiça ainda há pelo menos um processo em aberto contra o mecânico, por lesão corporal leve cometida contra ela em 2016.

O acusado, que foi preso em flagrante após esfaquear ex-mulher, tem ainda outros três processos de violência doméstica. Um deles é por lesão corporal, constrangimento ilegal e injúria. No entanto, não é possível afirmar que esses crimes foram cometidos contra a esposa, pois eles estão em segredo de Justiça.

A promotora de Justiça Cláudia Santos Garcia, do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher (Nevid) do Ministério Público do Espírito Santo, afirma que são comuns casos em que a mulher vítima de violência doméstica entre e saia de processos sucessivamente. Segundo ela, esse é um indicativo de que ela precisa de ajuda.

"A mulher permanece nesse ciclo da violência. Na hora da explosão ela procura ajuda na delegacia, depois acredita na mudança do companheiro, da a ele uma chance, ou acredita que com a separação ele não vá fazer mais nada. Esse é um indicativo urgente de que ela precisa que outros serviços sejam alcançados a ela", afirmou a promotora.

Ela acredita que mulheres nessa situação necessitam de apoio psicológico e de visitas da Patrulha Maria da Penha, por exemplo. "O Estado precisa retirar essa mulher do ciclo não só com a justiça criminal, com delegacia, com ministério público. É preciso que outros equipamentos sejam oferecidos", diz.

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