08/01/2017 às 14h38min - Atualizada em 08/01/2017 às 14h38min

'Jeitinho Kalil': novo prefeito de BH almoça de marmitex e elimina traje formal

Fumante inveterado, o ex-cartola tem obedecido a duras penas à lei

Fonte Estado de Minas

No gabinete, por enquanto, não há nada que lembre o time do coração (foto: Sidney Lopes/EM/D.A Press)

Polêmico, explosivo, sem papas na língua. As inconfundíveis marcas do prefeito Alexandre Kalil (PHS) durante a campanha pela Prefeitura de Belo Horizonte – e que o acompanham desde a presidência do Atlético Mineiro – todo mundo já conhece. No comando da capital mineira há uma semana, o ex-cartola e agora político já deu as primeiras mostras do “jeitinho” Kalil de administrar. E uma coisa é certa: as brigas com a burocracia e a formalidade serão constantes.

A começar do vestuário. Avesso ao terno, o prefeito só vai usar o traje formal em caso de extrema necessidade. No dia a dia, vai manter a calça jeans e blusa de malha, estilo polo. Da escolta, no entanto, ele não conseguiu escapar. Por um ato falho, ele até exonerou dois oficiais de gabinete e cinco assessores de segurança. Mas, no dia seguinte, teve que renomear toda a equipe. É que um prefeito não pode ficar sem a retaguarda dos policiais.

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Na segunda-feira, um dia depois da posse, ele sentiu isso na pele. Segundo aliados mais próximos, Kalil saiu pela Avenida Afonso Pena à procura de um restaurante para almoçar em companhia da secretária de Comunicação e chefe de Gabinete, Adriana Branco. Poucos passos e o assédio da população foi grande. Moral da história: desde então, o prefeito tem optado por almoçar no gabinete. Um funcionário é encarregado de comprar e levar o marmitex até Kalil.

Assessores garantem que ele ainda não teve tempo de fazer uma “sestazinha” na sala de descanso que fica no gabinete. Mas o que parece incomodar mais o prefeito é a impossibilidade de fumar dentro da prefeitura. A legislação veda a prática dentro de prédios públicos. E há quem garanta que ele está cumprindo à risca a regra. “O humor dele tem variado por causa do cigarro”, diz um aliado.

Talvez as inúmeras reuniões tenham ajudado Kalil a esquecer o vício. Além do vice-prefeito Paulo Lamac (Rede), que também é secretário de Governo,  o titular do Planejamento, André Reis, e Adriana Branco estão no topo da lista dos que mais despacham com o novo prefeito. O primeiro, em razão dos acertos finais da reforma administrativa que será enviada em breve para a Câmara Municipal. Adriana Branco, por ser o braço direito dele desde os tempos do comando do Atlético.

Pelo menos por enquanto não há nada no gabinete que remeta ao clube do coração. Mas o amor pelo time de futebol é tanto que Kalil tem feito piada sobre o assunto entre aliados. Tem propagandeado que agora ocupa o terceiro posto mais importante em Minas Gerais: prefeito da capital. O primeiro, claro, é a presidência do Atlético, seguido do governador do estado. De pessoal, a ideia  é levar para o local de trabalho apenas uma foto do pai, Elias Kalil, que também comandou o Galo entre 1980 e 1985, e dos filhos.

Nos primeiros dias, não foram poucos os casos de pessoas que passaram pelas portas da prefeitura na Avenida Afonso Pena e na Rua Goiás perguntando pelo prefeito. “Muitos dizem que querem conversar com ele para pedir emprego ou que querem vê-lo de perto”, conta um dos guardas municipais escalados para fazer a segurança da sede da PBH.

FATO POLÍTICO
O tempo que o prefeito tem passado no local de trabalho é grande: chega à sede da PBH por volta das 10h, em carro oficial dirigido pelo motorista que o acompanha há vários anos, e sai por volta das 21h. Sempre escoltado por um capitão da Polícia Militar. Durante a primeira semana, além de empossar seu secretariado, Kalil recebeu ao menos 200 pessoas, individualmente ou em grupos, com quem tratou de assuntos variados.

Mas o fato político mais importante dos primeiros dias foi certamente a reunião com os vereadores que compõem a nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, na quinta-feira. Após uma tumultuada eleição do comando da Casa, que terminou com a derrota do grupo ligado ao prefeito, Kalil festeja o apoio do grupo, que deve garantir a ele a maioria no Legislativo para aprovar projetos de interesse do Executivo. Entre aliados já se fala que a base governista pode reunir 39 dos 41 vereadores. E o prefeito já avisou que vai conduzir pessoalmente as conversas com os vereadores: “Ninguém fala por mim”.

TEMA SENSÍVEL
Uma das figuras mais presentes no gabinete é o chefe da Defesa Civil, coronel Lucas, com quem o prefeito tem discutido as questões das chuvas que assolaram a capital no mês passado e das ocupações pela cidade.  Amanhã já está agendado novo encontro com o coronel, às 9h, para tratar dos efeitos dos temporais, mas, desta vez, com a presença de todos os secretários.

Com uma agenda cheia e sem horário para chegar em casa, Kalil já lamentou que terá menos tempo para a leitura. Mas garante que arranjará espaço para suas maiores paixões: andar de moto e pedalar na Pampulha. “Já avisou que vai dar essas fugidas sem avisar a ninguém”, conta uma fonte ligada a Kalil. Dor de cabeça certa para seus seguranças.

RECONTRATAÇÕES
O prefeito Alexandre Kalil (PHS) cancelou a exoneração de 332 servidores municipais. A Secretaria de Governo publicou no Diário Oficial do Município (DOM) de ontem atos tornando sem efeito as exonerações feitas na segunda-feira, quando cerca de 2,8 mil servidores foram desligados da PBH. Ao tomar posse, Kalil afirmou que considerava “mais fácil recontratar a conta-gotas do que demitir a conta-gotas”. A maioria dos nomes (75) faz parte dos quadros da Procuradoria-Geral do Município. Entre os atos do prefeito publicados ontem está também a designação da secretária de Assuntos Institucionais e Comunicação Social, Adriana Branco, para acumular os cargos interinamente de chefe de Gabinete do prefeito e chefe de Assessoria de Comunicação.

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