05/01/2017 às 10h43min - Atualizada em 05/01/2017 às 10h43min

Pessoas que vivem perto de vias movimentadas têm maior incidência de demência, indica estudo

Pesquisadores, que monitoraram 2 milhões de pessoas ao longo de 11 anos, sugerem que poluição e ruído podem ser a causa.

Fonte G1

Mulher atravessa via movimentada em Pequim, na China, usando máscara para se proteger da poluição (Foto: AP Photo/Andy Wong)

Pessoas que vivem próximas de ruas movimentadas têm mais chances de desenvolver demência, aponta uma pesquisa publicada na revista científica "Lancet".

O estudo sugere que até 11% dos casos em pessoas que moram a 50 metros ou menos de uma grande via podem ser consequência da próximidade com o trânsito intenso.

Os pesquisadores monitoraram 2 milhões de pessoas no Canadá ao longo de 11 anos. Eles dizem que a poluição e o ruído podem contribuir para a degeneração cerebral.

Quase 50 milhões de pessoas no mundo têm demência. No entanto as causas desse mal, que afeta a memória e a capacidade mental de um indivíduo, ainda não são bem compreendidas.

Especialistas independentes apontaram que os resultados são "plausíveis" e "instigantes", mas exigem mais testes.

Crescimento populacional

O novo estudo foi feito na Província de Ontario entre 2001 e 2012. Nesse período, foram diagnosticados 243.611 casos de demência e identificado um risco maior entre aqueles que vivem próximos de grandes vias.

Em comparação com quem mora a 300 metros desses locais, o risco era 7% maior para quem vivia a 50 metros ou menos, de 4% para distâncias entre 50 e 100 metros e de 2% para distâncias de 101 e 200 metros.

A análise aponta que de 7% a 11% dos casos de demência de quem vivia a 50 metros poderia se dar por conta da proximidade com o trânsito.

Via movimentada na Coreia do Sul: Poluição e ruídos poderiam contribuir para a perda de memória e capacidade mental, dizem cientistas (Foto: AP Photo/Ahn Young-joon)

Os cientistas fizeram ajustes nos dados para levar em conta outros fatores, como pobreza, obesidade, instrução e o hábito de fumar, então seria improvável que eles tivessem ligação com o desenvolvimento da doença nos casos analisados.

Hong Chen, um dos autores do estudo, diz que "o crescimento da população e a urbanização levaram muitas pessoas a morarem próximas de um local com trânsito intenso".

"Junto com o aumento dos índices de demência, isso aponta para que mesmo um efeito modesto da exposição a vias próximas pode representar um risco à saúde pública", afirmou ele.

"Precisamos de mais pesquisas para estabelecer essa ligação e, particularmente, os impactos de diferentes aspectos do trânsito, como poluição e ruídos."

Os pesquisadores indicam que o barulho, partículas ultrafinas, óxido de nitrogênio e partículas geradas pelo desgaste de pneus poderiam causar a doença.

No entanto, o estudo analisa apenas onde vivem pessoas diagnosticadas com demência e não pode comprovar de fato que são as vias que causam esse mal.

'Instigante'

"Essa é uma pesquisa importante", diz Martin Rossor, diretor para estudos sobre demência do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde, no Reino Unido.

"Os efeitos são pequenos, mas, diante de um mal muito prevalente na população, eles podem ter implicações importantes para a saúde pública."

Tom Dening, diretor do Centro para Demência da Universidade de Nottingham, disse que os resultados são "interessantes e instigantes".

"Com certeza, é plausível que a poluição no ar gerada pela fumaça de motores possa contribuir para uma patologia cerebral e, com o tempo, elevar o risco do desenvolvimento de demência. Essas evidências contribuem para deixar em alerta quem mora perto de um local com tráfego intenso."

Os especialistas apontam que o melhor a fazer para reduzir o risco de demência é cultivar hábitos saudáveis para o corpo, como não fumar, fazer exercícios e ter uma boa alimentação.

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