19/12/2016 às 09h31min - Atualizada em 19/12/2016 às 09h31min

Temer pouco corta na carne, e país paga conta

Governo mantém luxos e demitiu apenas 3 mil comissionados

Fonte Gazeta Online

Foto Reprodução Michel Temer

Enquanto a crise econômica impõe um duro pacote de ajuste fiscal aos trabalhadores e ameaça tirar até benefícios sociais e trabalhistas, a pesada administração federal não corta, na carne, o suficiente para dar exemplo de controle efetivo de gastos.
 
Em seis meses de gestão, o presidente Michel Temer (PMDB) acabou com apenas três mil dos cerca de 98 mil cargos e funções em comissão do governo federal, segundo boletim do Ministério do Planejamento. De quebra, tentando se legitimar ao assumir, Temer concedeu reajuste salarial com efeito-cascata para Executivo, Legislativo e Judiciário, armando uma bomba de R$ 50 bilhões a ser detonada nos próximos anos.
 
Não bastasse, costumes luxuosos não saem dos salões do poder, mesmo em tempos de recessão. Gastos supérfluos, como jantares de pompa do Planalto para adular a base aliada no Congresso, figuram ao lado dos cartões corporativos – dos quais, segundo a oposição no Senado, beneficiários fazem saque em boca de caixa para ocultar a despesa.
 
Vender mansões à disposição de ministros, reduzir o uso de aviões da Força Aérea e cortar mordomias pode até não render muito dinheiro, mas seria simbólico para a sociedade penalizada por inflação e desemprego. No entanto, num ambiente de anemia de produtividade e de impopularidade, o Planalto só mergulha em contradições, avalia o economista Gil Castello Branco, da Associação Contas Abertas.
 
“A maior contradição são esses valores significativos na área de pessoal. Alegando que estaria respeitando negociações feitas no governo passado, o governo acabou concedendo aumentos diversos que podem chegar a R$ 50 bilhões, inclusive aumentos escalonados para os próximos exercícios, que já pesarão nos próximos orçamentos”, frisa Gil.
 
Enxugar despesas, porém, não é tão simples. Ante o déficit primário de R$ 170 bilhões, por vezes tem pouco efeito a economia que o governo anuncia cortando contratos. “Essa redução passou a nem ter tanta relevância no rombo bilionário do Orçamento”, afirma Gil.
 
Para ele, o Executivo ou milagrosamente aquece arrecadação, ou vai ter de cortar na carne. “E o grande problema é esse engessamento. O governo tem dificuldade de cortar despesas, porque os gastos discricionários (livres) são proporcionalmente pequenos, na ordem de 10% do total, enquanto os demais gastos estão atrelados à lei. São entraves legais”, observa.
 
Era PT inchou máquina e criou 31 mil cargos comissionados

Foto: Ricardo Stuckert (01/11/2010)

Lula e Dilma: escalada de cargos de confiança na era PT

Num boletim de pessoal de setembro, recém-divulgado pelo Ministério do Planejamento, o Executivo federal aparece com 2 milhões de servidores em 2016. É conta que só cresce: eram 1,8 milhão em 2004, mais que o 1,7 milhão de 2002 e que o 1,4 milhão de 1991.
 
No balanço oficial, o Judiciário federal soma 130 mil servidores, enquanto o Legislativo federal abriga 35,3 mil funcionários, bem menos que o governo.
 
O levantamento, aliás, lista a escalada de cargos e funções de confiança e gratificações do Executivo federal. Em 1997, havia 70.703 comissionados, exército que saltou a 73.095 em 2006 e hoje chega a 98.918.
 
O relatório comprova numericamente: os governos do PT incharam a máquina em índice mais agressivo: foram criados 31,1 mil cargos e funções de confiança. Saíram de 67.774 em 2003, totalizando quase 100 mil em 2016.
 
Conheça despesas federais
 
Preço alto 
Parlamentares
Os parlamentares brasileiros são os mais bem pagos da América Latina, diz a ONG Contas Abertas. Em momento de crise, não houve cortes nos benefícios. Além de R$ 33,7 mil de salário, os parlamentares têm direito a ajuda de custo, cotão, auxílio-moradia e verba de gabinete para contratar até 25 funcionários. Segundo o site Congresso Em Foco, os 513 deputados federais custam R$ 1 bilhão por ano ao contribuinte.
 
Carrinho de compras
Gastos supérfluos
Segundo dados recentes da Contas Abertas, a Presidência da República gastou R$ 17,7 mil com garrafas de água mineral.
 
Investimento fraco
Queda livre
Enquanto isso, o Orçamento da União prevê redução de R$ 7,1 bilhões em investimentos das estatais em 2017. O governo tentar reforçar o caixa deficitário com a repatriação, que elevou a arrecadação de outubro ao recorde de R$ 148 bilhões.
 
Folha de pessoal
Pesada e cara
Segundo o “Estadão”, o governo federal gasta 39,2% de suas receitas no pagamento de servidores públicos. Como proporção do Produto Interno bruto (PIB), as despesas de folha de pagamento, de pouco mais de 2 milhões de servidores, aceleraram em 2015 e chegaram a 5,3%, o maior nível desde 1995.
 
Bilhões
Ativos e aposentados
O total da folha de pagamento do governo federal em 2015 foi de R$ 255,3 bilhões, dos quais R$ 151,7 bilhões de salários para funcionários da ativa, R$ 66,2 bilhões de aposentadoria e R$ 37,3 bilhões de pensões. Dados também do “Estadão”.

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